Pesquisadores da USP desenvolveram um sistema de inteligência artificial capaz de identificar diferentes espécies de golfinhos por meio de seus assobios. A ferramenta, criada pelo Laboratório de Biologia da Conservação de Mamíferos Aquáticos (LABCMA), do Instituto Oceanográfico, promete aprimorar o monitoramento da fauna marinha e subsidiar políticas de preservação ambiental.
O método utiliza algoritmos para analisar as características acústicas dos sons emitidos por seis espécies de golfinhos do Atlântico Sudoeste, com foco no litoral paulista. Segundo o pesquisador Diogo Destro Barcellos, a tecnologia permite um monitoramento não invasivo, reduzindo o impacto sobre os animais e ampliando as possibilidades de pesquisa.
Os golfinhos dependem mais da audição do que da visão, pois vivem em ambientes onde a luz é escassa. Eles usam sons para se comunicar e se orientar por ecolocalização, um mecanismo que lhes permite “enxergar” por meio de ondas sonoras. Com o aumento da influência humana nos oceanos, métodos como o monitoramento acústico passivo tornam-se essenciais para acompanhar as populações de cetáceos.
Os próximos passos incluem novos cruzeiros oceanográficos ao longo da costa de São Paulo para ampliar a identificação de espécies. A técnica também poderá ser adaptada para monitorar baleias, o que pode fortalecer ainda mais as estratégias de conservação marinha.
