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sábado, 22 de agosto de 2026
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PF indicia 16 pessoas por queda de avião da Voepass que matou 62 em Vinhedo

PF indicia 16 pessoas por queda de avião da Voepass que matou 62 em Vinhedo
PF indicia 16 pessoas por queda de avião da Voepass que matou 62 em Vinhedo
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A Polícia Federal (PF) concluiu o inquérito sobre o acidente com o avião da Voepass que matou 62 pessoas em agosto de 2024, em Vinhedo (SP), e indiciou 16 pessoas, incluindo o proprietário da companhia, diretores e funcionários operacionais. O relatório final foi divulgado nesta quinta-feira (6) e agora segue para análise do Ministério Público Federal (MPF).

Com a conclusão da investigação, o caso entrará na fase judicial e será acompanhado pelo MPF, que irá analisar o relatório. Embora a PF tenha acusado 16 pessoas, o MPF poderá, por exemplo, mudar esse número — incluindo novos suspeitos ou retirando alguns.

Além disso, os indiciados serão ouvidos e deverão se defender na ação judicial. Confira abaixo os próximos passos do acidente da Voepass.

O g1 procurou o MPF para comentar as apurações, mas não teve resposta até a última atualização desta matéria.

Em nota, a Voepass diz compreender que o relatório da Polícia Federal integra a fase investigatória e “aguardará os próximos desdobramentos processuais, e, se for o caso, exercerá plenamente seu direito de defesa, nos termos da legislação vigente”.

“A Voepass reitera sua solidariedade às famílias das vítimas e reafirma que permanece à disposição das autoridades, das instituições competentes e dos demais agentes envolvidos para prestar todos os esclarecimentos necessários” — leia a nota na íntegra abaixo.

Coletiva de imprensa da PF para anunciar o relatório final do acidente da Voepass — Foto: Gabriella Ramos/g1

A PF concluiu o relatório sobre o acidente, que reúne provas, depoimentos e elementos apurados. O documento será entregue ao MPF, que irá analisar os indiciamentos e os fatos.

Após a análise, o MPF dará um parecer. Há três caminhos possíveis:

O parecer pode ou não ser aceito pela Justiça Federal. No caso de uma denúncia, se ela for aceita pelo juiz, os suspeitos se tornam réus e o processo tem seguimento. É possível, posteriormente, fazer um aditamento à denúncia e incluir novos réus.

Com os réus definidos, o processo entra na etapa de conhecimento e instrução. Isso significa que os suspeitos serão ouvidos e terão direito de se defender das acusações. O MPF também pode pedir informações complementares.

Concluída a etapa, o MPF apresenta o seu parecer sobre a sentença à Justiça Federal, solicitando a condenação ou a absolvição de réus, por quais crimes e como a pena deve ser calculada. Já as defesas dos suspeitos fazem as suas últimas manifestações (alegações finais).

Por fim, o juiz faz o julgamento e sentencia os réus. A decisão pode ser para condenar ou para absolver. No caso da condenação, é calculada a pena em três fases para cada condenado:

Os suspeitos podem recorrer da decisão ou apresentar embargos de declaração — quando algum trecho da sentença é contestado.

Relatório da PF vai ser compartilhado com a Anac para avaliar fiscalização

O relatório da PF ainda poderá ter reflexos administrativos. Segundo o delegado André Ribeiro, o documento também será encaminhado à Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) para avaliar a fiscalização.

O presidente da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), Tiago Faierstein, afirmou ao g1 que a corregedoria do órgão vai apurar, internamente, os apontamentos da PF sobre a fiscalização da Voepass.

Apesar de não indiciar profissionais da Anac, os investigadores da PF concluíram que o órgão regulador conhecia uma série de irregularidades na companhia aérea e, por isso, sugeriu ao MPF que apure eventuais responsabilidades.

Segundo a PF, as deficiências do órgão ao fiscalizar a Voepass também foram apontadas pelo Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) no relatório final sobre o acidente, o que sugere a possibilidade de atuação insuficiente da Anac.

Escombros de avião em Vinhedo (SP) neste sábado, dia 10 de agosto de 2024 — Foto: Nelson Almeida/AFP

Profissionais com experiência e formação no setor da aviação e engenharia aeronáutica fazem parte dos 16 indiciados da Voepass indiciados pela Polícia Federal pelo desastre aéreo:

Entre os responsabilizados pelas investigações estão o dono da companhia de Ribeirão Preto (SP), José Luis Felicio e o diretor de manutenção Eric Cônsoli, apontado por ex-funcionários como uma figura de grande influência dentro da empresa antes da crise provocada pela queda do avião e do encerramento das atividades.

No fim de junho, representantes das famílias tiveram acesso, pela primeira vez, à transcrição das conversas registradas na cabine da aeronave. O documento integra o laudo produzido pelo Instituto Nacional de Criminalística (INC), que embasa o inquérito da PF.

Ao final de quase 200 páginas, a conclusão do laudo da Polícia Federal é: a tragédia foi resultado da combinação entre falhas recorrentes no sistema de degelo, operação em uma área de formação severa de gelo, falhas na execução dos procedimentos previstos pelo fabricante e sucessivas barreiras de segurança que deixaram de funcionar antes do voo que terminou com a morte de 62 pessoas.

O documento destaca que o acidente foi precedido por uma sucessão de falhas recorrentes que envolveram diferentes pilotos e o despachante operacional, profissional que atua no solo e auxilia no planejamento do voo.

Segundo a perícia, tripulações anteriores omitiram panes graves no diário de bordo técnico para evitar que a aeronave ficasse parada, enquanto o Despachante Operacional de Voo (DOV) liberou a decolagem mesmo com equipamentos obrigatórios inoperantes e previsão de gelo severo na rota.

A análise da PF mostrou que a tripulação convivia com falhas no sistema de degelo, e o áudio da caixa-preta revelou o piloto reclamando antes da queda: “Essa bosta não tá funcionando, né?”.

Tragédia da Voepass: vídeo mostra como foi acidente de avião em Vinhedo

Paralela à investigação da PF, o Cenipa apurou fatores que contribuíram para o acidente aéreo e divulgou um relatório. O órgão da Força Aérea Brasileira (FAB) fez dezenas de perícias para reconstruir o voo e entender a sequência de eventos que levou à queda da aeronave.

Segundo o Cenipa, também foram analisados equipamentos responsáveis pelo controle de diferentes sistemas da aeronave e até as lâmpadas dos painéis do avião para verificar quais estavam acesas no momento da queda.

Caixa preta da aeronave que caiu em Vinhedo (SP). — Foto: Divulgação/FAB

Após a conclusão do inquérito da PF, familiares das vítimas pretendem ingressar com uma ação coletiva de responsabilidade civil por danos morais.

Segundo o advogado Leonardo Amarante, a medida não substitui as ações individuais de indenização já em andamento. A intenção é buscar a responsabilização de empresas, pessoas físicas e eventuais instituições que tenham contribuído, por ação ou omissão, para a tragédia.

Protesto de familiares das vítimas da queda de avião em Vinhedo — Foto: Gabriella Ramos/g1

O ATR 72-500, matrícula PS-VPB, fazia o voo entre Cascavel (PR) e o Aeroporto Internacional de Guarulhos (SP) quando caiu no quintal de uma casa em um condomínio de Vinhedo (SP).

As 62 pessoas a bordo, incluindo 58 passageiros e quatro tripulantes, morreram. Nenhum morador da residência atingida ficou ferido.

Foi o acidente mais grave da aviação brasileira desde o desastre com o voo da TAM, em 2007.

“A Voepass informa que a segurança operacional sempre foi sua prioridade. Ao longo de mais de 30 anos de atuação na aviação brasileira, a companhia adotou rigorosamente todos os protocolos de segurança, manutenção e capacitação de tripulações previstos pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).

A empresa reforça que sua atuação sempre esteve pautada pelos mais elevados padrões de segurança da aviação, contando, desde 2012, com a certificação IOSA (IATA Operational Safety Audit), concedida pela Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA) às companhias aprovadas em rigorosa auditoria internacional de segurança operacional.

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