Trocar o elevador pela escada, ir ao trabalho de bicicleta ou caminhar até o ponto de ônibus são pequenas mudanças que podem fazer grande diferença para a saúde. Essas práticas aumentam a atividade física no dia a dia, complementando os exercícios estruturados, como musculação ou corrida.
O professor Júlio Serrão, da Escola de Educação Física e Esporte da USP, explica que qualquer movimento já é melhor do que ficar parado. “Atividade física é imensamente superior a não fazer nada”, afirma. Ele ressalta que uma vida ativa combina movimento constante com momentos de desafio, como os exercícios físicos.
Dados da Vigitel 2024 mostram que 33,3% dos adultos brasileiros não praticam atividade física suficiente, com desigualdades: mulheres (39,7%) e grupos minoritários têm menor acesso. A pesquisadora Andreia Miranda, da USP, destaca que “as mulheres enfrentam desafios adicionais, como dupla ou tripla jornada”, e defende políticas públicas para ampliar oportunidades.
Para começar, não é preciso muito. “Pequenas mudanças, como caminhar parte do trajeto ou usar escadas, já contribuem para uma vida mais ativa”, orienta Andreia. O educador Guilherme Gabas, também da USP, lembra que “não é necessário praticar uma hora contínua de atividade física para obter benefícios”.
A escolha da atividade deve considerar o prazer pessoal. “Não adianta recomendar musculação se a pessoa odeia; a probabilidade de dar certo tende a zero”, alerta Serrão. Ele recomenda orientação profissional para combinar força, condicionamento e flexibilidade.
Especialistas reforçam que a responsabilidade não é só individual: é preciso que a sociedade e o poder público criem condições seguras para a prática, como parques e ciclovias. A atividade física vai além da saúde, promovendo bem-estar, convivência social e redução de desigualdades.
