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sábado, 22 de agosto de 2026
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Criador de conteúdo constrói carreira no Capão Redondo e sonha com a música

Criador de conteúdo constrói carreira no Capão Redondo e sonha com a música
Criador de conteúdo constrói carreira no Capão Redondo e sonha com a música
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Glaydson Nuunes, conhecido como Glay, de 27 anos, sempre se enxergou como artista. Criado na periferia de São Paulo, ele começou a produzir conteúdo na internet há cerca de dez anos e, ao longo da trajetória, transformou experiências pessoais e vivências do território em trabalho.

Hoje, morador do Capão Redondo, na Zona Sul da capital, Glay produz vídeos sobre o cotidiano, alimentação, experiências pessoais e estabelecimentos da periferia. Também trabalha com publicidade e monetização das redes sociais. Mas o objetivo profissional vai além da internet: ele quer viver da música.

A relação com o Capão Redondo começou há cerca de três anos, quando Glay decidiu sair de perto da família para construir a própria vida. Segundo ele, a escolha foi uma das melhores decisões que tomou.

“Eu decidi sair de perto da minha família para construir uma vida aqui no Capão Redondo e foi a melhor decisão que tomei na minha vida.”

Mesmo com a possibilidade de morar em outros lugares, Glay diz que não pretende deixar o bairro neste momento. Para ele, o território se tornou parte da identidade e também do trabalho que desenvolve.

“Eu tenho a possibilidade de sair daqui. Eu cheguei num lugar em que eu consigo ter escolha de onde eu posso morar, mas eu pertenço a esse lugar que ainda não acabou minha missão aqui.”

A relação de Glay com a internet começou há cerca de dez anos, ainda no Snapchat. Desde criança, ele conta que gostava de se comunicar, aparecer e criar.

Ao longo dos anos, ele passou por diferentes formatos e plataformas até encontrar uma maneira própria de produzir conteúdo. Hoje, diz que mostra nas redes as experiências reais que vive, inclusive quando faz publicidade.

Para ele, a criação de conteúdo também sempre foi pensada como profissão.

Glay afirma que, durante boa parte da trajetória, precisou continuar acreditando no próprio trabalho mesmo sem o reconhecimento que esperava.

Uma das características do conteúdo de Glay é a valorização de estabelecimentos da própria periferia. Ele passou a registrar experiências em restaurantes e outros comércios locais e percebeu que poderia usar a audiência para apresentar esses lugares ao público.

Para ele, muitos comerciantes do território oferecem produtos e serviços de qualidade, mas nem sempre recebem a mesma visibilidade que estabelecimentos mais conhecidos.

Glay também considera que, para quem vive na periferia, ter acesso a momentos de lazer e consumo pode exigir planejamento financeiro. Por isso, acredita que mostrar opções dentro do próprio território é uma maneira de ampliar as possibilidades do público.

A relação com os comerciantes também virou uma fonte de renda. Hoje, Glay afirma que vive da criação de conteúdo, da monetização das plataformas e das publicidades que realiza.

“Hoje eu vivo do meu conteúdo. Toda a minha receita vem do público local e eles que me contratam, eles que me sustentam.”

Antes de aceitar uma publicidade, ele diz que procura conhecer o estabelecimento e conversar com os responsáveis. Também pede para receber o mesmo atendimento que qualquer cliente teria.

Um dos exemplos citados por Glay é o Fogo de Rua, estabelecimento do Capão Redondo que ganhou repercussão nas redes após ele divulgar um dos produtos da casa. O lanche do estabelecimento virou uma tendência e passou a atrair pessoas de outras regiões e até de outros estados.

Para Glay, a experiência reforçou a ideia de que seu trabalho também pode movimentar negócios do próprio território.

Antes da fase atual, Glay passou por um dos momentos mais difíceis da vida. Ele conta que foi agredido durante uma festa depois de pegar na mão da então namorada.

Segundo ele, o homem que o atacou o atingiu com um soco no rosto. A agressão provocou uma fratura no maxilar e fez com que ele permanecesse cerca de 45 dias com a boca imobilizada, alimentando-se por um canudo.

Depois do episódio, ele passou por outros problemas de saúde e ficou cerca de dois anos afastado das redes sociais.

Durante esse período, diz que começou um processo de reconstrução pessoal. Longe da exposição da internet, passou a estudar, ler e buscar referências que o ajudassem a compreender o momento que estava vivendo.

Entre as leituras, cita o escritor Augusto Cury. Na entrevista, Glay não especifica o título do livro, mas diz que os textos do autor tiveram importância no processo.

“Li muito Augusto Cury. Ele me ajudou a rebobinar minha mente, nesse sentido de enxergar a vida como ela é, de ter muito mais autorresponsabilidade, não só autoconhecimento.”

A volta para a internet aconteceu acompanhada de uma nova fase artística. Glay retornou às redes lançando a música “Recomeço”, produzida durante um projeto gratuito de produção musical.

A faixa nasceu depois que ele participou de um curso de três meses. Durante uma atividade, recebeu uma base musical e decidiu escrever uma letra.

“Recomeço é uma palavra muito forte para mim, porque realmente foi um recomeço. Eu, aos 20, 20 e tantos anos da minha vida, eu decidi recomeçar. Não foi nada fácil. Foi muito, muito difícil. Foi acreditar muito.”

Embora atualmente consiga viver da produção de conteúdo, Glay afirma que o grande sonho é viver da música.

Glay não acredita que o caminho para crescer na internet seja apenas acompanhar aquilo que está viralizando. Para ele, o principal diferencial de um criador é conseguir transformar a própria história em conteúdo.

“Às vezes não é um vídeo viral que vai te trazer muitos seguidores, mas um vídeo que conte a sua história, que conte um pedaço de uma dor que você sentiu, que vai te conectar a várias pessoas que não tiveram coragem de falar o que você viveu.”

Para ele, manter uma relação saudável com a internet também significa não transformar todos os momentos da vida em conteúdo.

“Eu quero viver essa viagem. Não quero só ir fazer uma foto, postar no feed. Eu quero viver, eu quero sentir o cheiro das coisas, eu quero viver o tempo daquele espaço.”

Entre suas referências pessoais, Glay cita a mãe, que considera uma das pessoas que mais admira, e, na música, o cantor Thiago Veight.

Ele também participa de mentorias e atividades para jovens interessados em criação de conteúdo e acredita que a própria história é a principal ferramenta para quem quer começar.

Mesmo com a possibilidade de morar em outros lugares, Glay diz que não pretende deixar o Capão Redondo neste momento. O bairro faz parte de sua identidade e da trajetória que construiu.

Agora, quer continuar produzindo conteúdo enquanto trabalha para transformar a música em sua principal carreira.

“Meu nome é Glaydson Nuunes, tenho 27 anos, minha profissão é criador de conteúdo, hoje em dia chamado como profissional multimídia. E sou artista também. Na verdade, eu sou mais artista do que só profissional. O artista é o coração.”

“Eu decidi sair de perto da minha família para construir uma vida aqui no Capão Redondo e foi a melhor decisão que tomei na minha vida.”

“Eu tenho a possibilidade de sair daqui. Eu cheguei num lugar em que eu consigo ter escolha de onde eu posso morar, mas eu pertenço a esse lugar que ainda não acabou minha missão aqui.”

“Tem mais ou menos dez anos. Eu falo dez anos porque minha professora de inglês hoje em dia, a Lila, me segue desde o Snapchat.”

“Eu sempre fui muito exibido, sempre fui uma criança muito exibida, muito artista, muito arteira. […] Eu sempre me vi artista desde criança.”

“Meu trabalho no intuito de tudo isso era traz

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