O professor Paulo Feldmann, da Faculdade de Economia da USP, alerta sobre as consequências diretas de guerras nas cadeias de valor e a importância de se preparar antecipadamente. Ele destaca que, embora não se possa apoiar conflitos, é essencial que os países protejam suas economias em tempos de crise.
Feldmann menciona que Brasil e Noruega têm se beneficiado de suas matrizes energéticas limpas, baseadas em fontes renováveis, enquanto a China, o maior importador de petróleo, adotou medidas para reduzir a demanda por esse insumo. O Brasil, agora o oitavo maior produtor de petróleo do mundo, se destaca pela exploração do pré-sal e pela capacidade produtiva da Petrobras.
Entretanto, o professor aponta que a dependência do Brasil em relação à importação de fertilizantes, que varia entre 85% e 88%, expõe o agronegócio a riscos geopolíticos. Apesar de ser um dos maiores produtores agrícolas, o país não investiu na criação de uma indústria local de fertilizantes, o que poderia ter mitigado os impactos da guerra entre Rússia e Ucrânia.
Feldmann questiona a falta de políticas industriais que poderiam ter apoiado a produção nacional de insumos agrícolas e critica a inação do BNDES em financiar essa iniciativa. Ele conclui que o Brasil precisa aprender com as consequências econômicas das guerras e que a preparação antecipada é fundamental para evitar crises futuras.
