Na disputa pela Presidência, os pré-candidatos Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) têm direcionado ataques a instituições-chave: o presidente critica as emendas parlamentares, enquanto o senador foca no Supremo Tribunal Federal (STF).
No programa de governo protocolado no TSE, Lula propõe enfrentar o atual sistema de emendas, classificando os repasses como uma “grave distorção na elaboração e gestão do orçamento federal”. O documento afirma que as emendas impositivas e o orçamento secreto “mudaram as relações entre o Executivo e o Legislativo” e “sequestram o orçamento público, dispersam os recursos e reduzem a eficiência alocativa”.
O texto também menciona a PEC da Segurança Pública, aprovada na Câmara, mas parada no Senado. Segundo o programa, o governo só criará o Ministério da Segurança Pública após a aprovação da PEC. Além disso, prevê diálogo para aprovar outra proposta que trata do fim da escala 6×1, também travada no Senado.
Apesar das críticas, o programa destaca que o governo trabalhou “em conjunto com o Congresso” nos últimos quatro anos. O tom é mais moderado do que o adotado em 2025, quando o discurso “nós contra eles” incomodou a cúpula do Legislativo. O secretário de Comunicação do PT, Éden Valadares, afirmou que rever o sistema de emendas não significa confrontar o Congresso e que a campanha não fará ataques como os do bolsonarismo contra o STF.
Flávio Bolsonaro, por sua vez, intensificou críticas ao STF, especialmente ao ministro Alexandre de Moraes. No domingo (9), ele publicou vídeo em que lê carta para o pai e classificou como “desumana, insana e injusta” a decisão de Moraes de não permitir visita no Dia dos Pais, após descumprimento de restrições judiciais. Em evento em Itapetininga (SP), o senador defendeu indicar ministros que “respeitem a Constituição, não usem a máquina pública para enriquecer e respeitem o dinheiro do contribuinte”.
Nesta terça-feira (11), Flávio deve se reunir com candidatos ao Senado alinhados à direita, em Brasília. O debate sobre a eleição para a Casa ganhou força entre grupos de direita, já que o Senado tem prerrogativa exclusiva para abrir processos de impeachment contra ministros do STF.