O aumento do uso de telas e a prática de trabalhar ou estudar até tarde têm gerado um fenômeno conhecido como jet lag social, que resulta de um descompasso entre o relógio biológico e os horários sociais.
Graziela Zlotnik Chehaibar, psicóloga do Ambulatório do Sono do Instituto de Psiquiatria da USP, explica que “é como se as pessoas tivessem dois relógios: o biológico, que funciona internamente, e o social, determinado pelos horários de trabalho, escola e outras atividades”.
Adolescentes são um dos grupos mais afetados, pois, nessa fase, o relógio biológico tende a fazer com que sintam sono mais tarde. No entanto, muitos precisam acordar cedo para a escola, o que agrava a situação.
As consequências do jet lag social incluem ganho de peso, alterações metabólicas, aumento do risco cardiovascular, além de problemas de humor e ansiedade. A privação do sono também pode prejudicar o sistema imunológico.
Para prevenir esse problema, Zlotnik recomenda manter horários de sono regulares durante a semana e nos finais de semana, além de aumentar a exposição à luz solar pela manhã. É importante reduzir a exposição a telas e estimulantes à noite.
Em casos persistentes, a terapia cognitivo-comportamental pode ser indicada, assim como a melatonina, que deve ser usada sob orientação profissional.
O jet lag social reflete mudanças no estilo de vida moderno, onde as fronteiras entre trabalho e descanso se tornaram mais tênues. Para mitigar seus efeitos, é essencial estabelecer uma rotina que respeite os ciclos naturais de sono e vigília.
