Pesquisadores brasileiros investigaram o papel da enzima fosfoglicerato desidrogenase (PHGDH) no desenvolvimento do sistema nervoso e sua relação com a esquizofrenia. O estudo, publicado na revista Glial Health Research, destaca que a inibição da PHGDH afeta o desenvolvimento neurológico e está associada a distúrbios neuropsiquiátricos.
Utilizando modelos neurais humanos, os cientistas analisaram como mudanças metabólicas precoces podem afetar as conexões cerebrais, aumentando a vulnerabilidade a transtornos como a esquizofrenia. A pesquisa envolveu instituições como a Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da USP, Unicamp e outras.
Flávio Protásio Veras, professor da Universidade Federal de Alfenas, destacou que alterações na PHGDH já haviam sido observadas em pacientes com esquizofrenia, levantando a hipótese de seu papel crucial no desenvolvimento cerebral.
O estudo também revela que a interação entre neurônios e astrócitos é fundamental para a função cerebral, com o neurotransmissor D-serina sendo essencial para essa comunicação. A desregulação dos níveis de D-serina está associada à esquizofrenia, que envolve comprometimentos cognitivos e sinalização neural anormal.
Os pesquisadores transformaram células embrionárias humanas em neurônios e astrócitos, criando um modelo tridimensional que simula o cérebro em desenvolvimento. A inibição da PHGDH resultou em níveis reduzidos de D-serina e alterações no metabolismo energético das células.
A análise avançada de proteômica revelou que os astrócitos dependem de vias metabólicas alternativas para compensar a perda da PHGDH, enquanto os neurônios necessitam do suporte fornecido pelos astrócitos para sua maturação e conectividade sináptica.
Os resultados indicam que alterações sutis no metabolismo da D-serina podem prejudicar a formação de circuitos neurais estáveis, mesmo em estágios iniciais do desenvolvimento cerebral, sugerindo novas estratégias de pesquisa para abordagens terapêuticas focadas no metabolismo cerebral.