A Justiça de São Paulo decidiu que três policiais militares envolvidos no disparo contra o motoboy Evandro Alves da Silva durante a Operação Escudo serão submetidos a júri popular. As câmeras corporais que registraram a ação foram divulgadas com exclusividade pelo g1 e GloboNews.
Os policiais, sargento Thiago Freitas da Silva e soldados Daniel Pereira Noda e Carlos Vinicius Batista Bruno, foram acusados de tentativa de homicídio qualificado por motivo torpe e recurso que dificultou a defesa da vítima. O incidente ocorreu em 30 de agosto de 2023, quando os PMs invadiram o imóvel onde Evandro, que atuava como mototaxista, estava.
No momento do ataque, Evandro estava nu e no banheiro. Ele foi baleado, mas conseguiu pular pela janela, caindo de uma altura de sete metros. A versão dos policiais de que ele estava armado foi contestada pelo Ministério Público, que apontou contradições nas imagens das câmeras corporais.
A juíza Thais Caroline Brecht Esteves Gouveia, responsável pela decisão, destacou que as provas demonstram divergências significativas na dinâmica dos fatos, o que justifica a necessidade de um julgamento. Evandro, que estava em estado grave após o ataque, passou 45 dias internado, incluindo 23 em coma.
Em dezembro de 2025, o Ministério Público arquivou investigações contra Evandro por resistência e porte ilegal de arma, enquanto a PM apreendeu uma pistola no local do incidente. O motoboy, que possui um histórico criminal, acredita que os policiais retornaram ao imóvel após consultarem seus antecedentes.
