Os recentes terremotos na Venezuela e na Colômbia, somados a outros abalos na região andina, têm causado impactos devastadores sobre a população, agravando a vulnerabilidade social e comprometendo direitos humanos, avalia o professor Pedro Dallari, do Instituto de Relações Internacionais da USP.
Em entrevista à Rádio USP, Dallari destacou que, em 24 de junho, dois terremotos consecutivos atingiram a Venezuela, e em 10 de agosto, um forte tremor ocorreu na Colômbia. Ele lembrou que outros abalos de menor intensidade foram registrados no Peru, na Argentina e no Chile, evidenciando que toda a região andina está afetada pelo encontro de placas tectônicas.
Segundo dados citados pelo professor, na Venezuela foram contabilizados mais de 6 mil mortos e 60 mil moradias danificadas. A ONU estima que cerca de 650 mil pessoas, incluindo 230 mil crianças, necessitam de assistência humanitária. Na Colômbia, o terremoto deixou mais de 300 mortos e 4 mil feridos, com 100 mil pessoas precisando de ajuda. Além disso, 75 mil crianças estão sem acesso a escolas, e mais de 1.600 instituições educacionais foram atingidas.
Dallari ressaltou que o impacto desses desastres é amplificado pela situação social precária desses países, marcada por desigualdade, dificuldades econômicas e grande número de deslocados, como os venezuelanos que buscam refúgio na Colômbia. “Se os efeitos dos terremotos muitas vezes são inevitáveis, o que é evitável é o impacto disso para a sociedade, mas isso demanda maior planejamento e preparação para proteger as pessoas”, afirmou.
O professor comparou a situação com países desenvolvidos, como o Japão, onde terremotos de magnitude maior causam menos danos devido à infraestrutura e ao planejamento. “A extensão dos danos nos países menos desenvolvidos é bastante profunda”, concluiu.