sexta-feira, 28 de agosto de 2026
Postado emSão Paulo, Vida e Saúde

Professoras da USP lideram pesquisas sobre resistência antimicrobiana na América Latina

Professoras da USP lideram pesquisas sobre resistência antimicrobiana na América Latina
Professoras da USP lideram pesquisas sobre resistência antimicrobiana na América Latina
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Duas professoras da Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto (FCFRP) da USP estão entre os 20 pesquisadores com maior produção científica sobre resistência aos antimicrobianos na América Latina. Eliana Guedes Stehling e Juliana Pfrimer Falcão aparecem em um estudo bibliométrico que analisou 3.602 artigos científicos publicados na área.

O levantamento, realizado por pesquisadores de universidades peruanas e publicado na revista Medicine, utilizou dados da Web of Science e considerou indicadores como número de publicações, citações, autores, países, instituições e temas. O Brasil liderou a produção científica, com 1.577 artigos (43,8% do total), seguido pelo México (12%). A USP foi apontada como a instituição com maior produção na área na América Latina, com 537 artigos, e o estudo registrou um crescimento anual de 31,65% nas publicações sobre o tema.

Para Eliana, o reconhecimento amplia o alcance do conhecimento produzido. “Esse reconhecimento amplia o alcance do conhecimento produzido, promovendo a troca de informações, o debate científico e a divulgação de evidências que podem impulsionar novas investigações nesta linha de pesquisa”, afirma. Juliana, coordenadora do Laboratório de Epidemiologia Molecular e Genômica Bacteriana, considera que o resultado consolida um trabalho de mais de 20 anos e reflete a contribuição de estudantes, pesquisadores e colaboradores.

O laboratório atua em pesquisas sobre bactérias de importância para a Saúde Única, abordagem que integra saúde humana, animal e ambiental. Os estudos focam em patógenos de relevância clínica e transmitidos por alimentos, como Salmonella e Campylobacter. As pesquisas incluem caracterização fenotípica e análises genômicas para investigar determinantes genéticos da resistência.

Um dos desafios apontados é compreender como os microrganismos circulam entre humanos, animais e meio ambiente. “Nesse contexto, a pesquisa é fundamental para monitorar a disseminação da resistência, identificar genes e perfis de resistência e gerar evidências que subsidiem estratégias de vigilância, prevenção e controle”, destaca Juliana. A resistência aos antimicrobianos é reconhecida pela OMS como uma das principais ameaças à saúde pública global.

O estudo também aponta diferenças entre países da América Latina na capacidade de pesquisa e defende maior igualdade na disseminação do conhecimento e fortalecimento da colaboração internacional. As pesquisas recebem financiamento da Fapesp, Capes e CNPq, mas as professoras destacam lacunas em bolsas e valorização dos pesquisadores.

Entre os novos projetos, um estudo temático aprovado pela Fapesp investigará a diversidade genética, resistência e virulência de Salmonella no contexto da Saúde Única, com duração de cinco anos. Além das duas professoras, o professor Nilton Lincopan, também da USP, ocupa a primeira posição no ranking, com 59 artigos.

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