A Central de Atendimento às Mulheres (Ligue 180), em Brasília, é um serviço essencial que recebe diariamente ligações de mulheres em situação de violência, buscando orientação e apoio. As atendentes, que trabalham na linha de frente, desconstroem a ideia de que ‘em briga de marido e mulher não se mete a colher’ ao oferecer acolhimento e informações necessárias para que essas mulheres possam denunciar agressões.
Gerenciado pelo Ministério das Mulheres, o Ligue 180 registrou mais de um milhão de atendimentos nos primeiros sete meses de 2026, refletindo a crescente confiança das mulheres no serviço. Uma das atendentes destacou a satisfação em ajudar: ‘A partir do momento que ela faz a primeira ligação aqui, a gente já sente que ela tá criando coragem de denunciar’.
Com uma equipe de cerca de 370 profissionais, incluindo atendentes e psicólogas, a central oferece acompanhamento psicológico regular para lidar com o impacto emocional dos relatos de violência. Fabiana Emir da Silva, coordenadora de Psicologia, enfatiza a importância de equilibrar acolhimento e distanciamento profissional durante os atendimentos.
Apesar das gratificações, a rotina é desafiadora. Casos de mulheres em situações extremas, como cárcere privado, são comuns. Uma atendente relatou o caso de uma mulher que, sem apoio familiar, conseguiu registrar uma denúncia após ligar escondida.
O Ligue 180 opera 24 horas por dia e oferece atendimento em português, espanhol e inglês, além de fornecer informações sobre a rede de proteção disponível. As denúncias podem ser feitas de forma identificada ou anônima, e o acompanhamento do caso é possível por meio do número de protocolo fornecido.
As atendentes incentivam as mulheres a buscarem ajuda, ressaltando que ‘mesmo com medo, as mulheres devem procurar ajuda, porque tem uma saída para a situação de violência’.