Na última sexta-feira, 28 de agosto, o campus Fernando Costa da USP, localizado em Pirassununga, sediou a primeira edição do programa Reitoria no Campus da atual gestão reitoral. O encontro reuniu representantes da Administração Central da Universidade e da comunidade local com o objetivo de alinhar estratégias, ouvir demandas específicas e promover uma gestão mais integrada e participativa na Universidade.
Lançado no ano de 2022, o programa Reitoria no Campus é um ciclo de reuniões em que representantes da gestão acadêmica passam o dia em um dos campi da USP — Bauru, Lorena, Piracicaba, Pirassununga, Ribeirão Preto, São Carlos e na capital — para se encontrarem com representantes da comunidade local e estimular o diálogo institucional. A ideia é que, com uma maior interação entre a Reitoria e os diferentes segmentos da comunidade acadêmica, temas relacionados a cada localidade possam ser discutidos com maior efetividade, debatendo propostas e formulando soluções práticas para a população universitária e a sociedade. As reuniões em cada um dos campi devem acontecer pelo menos uma vez por ano e a organização conta com a participação do Conselho Gestor e da Prefeitura do Campus local.
Na abertura do encontro, o reitor Aluisio Augusto Cotrim Segurado ressaltou a importância desta aproximação institucional. “É com uma enorme satisfação que retomamos este programa, já no primeiro ano da nossa gestão, aqui em Pirassununga, um campus pelo qual tenho um carinho imenso e onde obtive muitos aprendizados. Foi justamente neste programa que percebi, pela primeira vez, ainda como pró-reitor de Graduação, a relevância de aproximar a administração central da comunidade estudantil, proporcionando um contato próximo com os coordenadores de todos os cursos de graduação, de uma forma que nenhum conselho central é capaz de substituir. Este, que é o maior campus da USP, nos maravilha com sua beleza e contato com a natureza, fazendo com que os próprios estudantes, ao perceberem a sua dimensão física, compreendam também a grandeza da nossa Universidade. Ao mesmo tempo, temos aqui uma série de complexidades inerentes ao campus, e a particularidade única de ser o único onde convivem dois cursos, de duas unidades, para a mesma formação profissional e científica [Medicina Veterinária], nos ensinando a potencializar a formação por meio do compartilhamento de espaços, recursos humanos e experiências”.
Para o prefeito do campus Fernando Costa, João Adriano Rossignolo, o encontro com os dirigentes centrais representa um avanço no atendimento das necessidades locais. “Este espaço de 2.300 hectares, que hoje é o maior campus da USP, é um desafio fascinante e único. Nossa prefeitura não cuida apenas de infraestrutura; nós nos conectamos integralmente com o ensino, a pesquisa e a extensão, atuando em uma simbiose com cursos de graduação como engenharias, medicina veterinária, enfermagem e zootecnia. Com uma população de cerca de 3.300 pessoas e uma equipe de 155 funcionários, nosso grande diferencial é a área de agropecuária, a maior em atuação, que une diretamente a prefeitura às unidades acadêmicas. Nós cuidamos de toda a estrutura de produção animal, que inclui a fabricação própria de silagem e ração a custos muito abaixo do mercado para alimentar nossos rebanhos, além de manter viva a nossa história ao transformar a antiga escola prática em universidade sem alterar o patrimônio histórico”, pontuou.
Rossignolo apresentou um panorama do momento vivido pela gestão local: “A complexidade da nossa dinâmica se reflete no dia a dia: oferecemos ciclovias com bicicletas compartilhadas, moradia estudantil e contamos com uma guarda universitária que atua por terra, água e ar, apoiada por um sistema de monitoramento de 350 câmeras. No entanto, enfrentamos desafios significativos, especialmente por sermos muito sensíveis às mudanças climáticas. Para aumentar nossa resiliência, já reformamos seis de nossos oito barramentos, ampliando a reservação em 150 milhões de litros de água, e estamos planejando uma ligação com a água da cidade, pois nossa fonte atual de água potável já dá sinais de limite. Também estamos avançando na transição energética, com 30% da nossa eletricidade vinda de usinas fotovoltaicas, e na conectividade, com planos de expandir nossa internet para 5 GB. Nosso objetivo é continuar inovando na agropecuária de forma moderna e potente, honrando a vocação histórica do nosso campus”.
Após a abertura e a plenária geral, os participantes do evento se dividiram em diferentes espaços para discussões temáticas a respeito de demandas específicas relacionadas às áreas da administração universitária. Nas salas, os cinco pró-reitores da USP, além de representantes das superintendências, conversaram com a comunidade.
Entre os temas, foram tratados assuntos como contratações de pessoal docente e técnicos especializados, estruturas laboratoriais, moradia estudantil, financiamento de atividades de curricularização da extensão, a participação da USP no Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade), cursos noturnos e avaliação das disciplinas de Graduação. O desafio da implementação, mais recente, das Comissões de Inclusão e Pertencimento (CIP) e do uso de seu sistema corporativo Sankofa, também foi discutido.
A vice-reitora, Liedi Légi Bariani Bernucci, avaliou a importância das propostas discutidas ao longo do dia e o impacto para a comunidade acadêmica. “É uma grande alegria retornar a este campus que é maravilhoso e muito bonito, ao mesmo tempo em que é um local de alta complexidade e de gestão muito trabalhosa. Chama a atenção como, em apenas uma manhã de reuniões com os dirigentes do campus, conseguimos discutir uma quantidade significativa de pautas e prospectar soluções para os maiores desafios, o que comprova a funcionalidade prática deste tipo de ação”.
A programação do Reitoria no Campus foi finalizada com uma série de inaugurações de estruturas voltadas ao ensino na Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos (FZEA): o Edifício 2 do Departamento de Engenharia de Alimentos – ZEA 2; o Módulo Didático das Agrárias; e o Laboratório de Tecnologia de Produção e Sanidade Vegetal do Departamento de Engenharia de Biossistemas.
Os novos espaços ampliam a infraestrutura de pesquisa e ensino do campus, modernizando a formação em Engenharia de Alimentos e áreas correlatas. Esperado desde a criação do curso de Engenharia de Alimentos, há 25 anos, o complexo levou cerca de 15 anos para ser concretizado, em um esforço colaborativo ao longo de diferentes gestões da diretoria.
O edifício ZEA 2 é um prédio multiuso que abriga laboratórios didáticos e de pesquisa avançada em microbiologia, engenharia de bioprocessos e segurança de alimentos, além de uma nova planta piloto de 900 m². O Módulo Didático de Agrárias e o Laboratório de Sanidade Vegetal operam como infraestruturas de apoio prático direto ao campo. As instalações viabilizam a possibilidade de reformulações curriculares visando a redução da carga teórica em favor de atividades práticas intensivas. Os espaços garantem a expansão de laboratórios já existentes, como o de microencapsulação de alimentos, e a readequação do prédio antigo (ZEA1), além do trabalho prático integrado com sensores e equipamentos de ponta.
O principal marco tecnológico é a instalação do Centro de Inteligência Artificial e Agro, que proporciona a integração direta de ciência de dados, transformação digital e IA aos processos agroindustriais e de sanidade vegetal, alinhando a pesquisa e a formação dos alunos às demandas tecnológicas contemporâneas do agronegócio.
