Um estudo revela que as mulheres trans representam 65,3% das 45.715 notificações de violência contra pessoas transgênero no Brasil entre 2015 e 2023. A pesquisa, publicada na revista Scientific Reports, analisou dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN) do Ministério da Saúde.
Além da predominância de mulheres trans, o estudo identificou que 36,1% das vítimas eram adultos jovens e 44,6% eram pessoas pardas. A violência física foi a forma mais comum, presente em 65,9% das notificações.
Os pesquisadores observaram que as notificações não estão distribuídas aleatoriamente pelo país, mas seguem padrões sociais e espaciais relacionados à vulnerabilidade e discriminação. O estudo também destacou que 64,6% das notificações referiam-se a agressões praticadas por terceiros.
Gilberto da Cruz Leal, autor principal do estudo, explicou que a vulnerabilidade das mulheres trans muitas vezes começa no ambiente familiar e se estende para a escola e o mercado de trabalho, resultando em maior exposição à violência.
A análise revelou uma maior concentração de notificações nas regiões Sul e Sudeste, mas os pesquisadores alertam que isso não indica que essas áreas sejam as mais violentas, mas sim que possuem sistemas de saúde mais sensíveis e estruturados para registrar esses casos.
Leal enfatiza que a violência institucional e o preconceito nos serviços de saúde podem afastar as pessoas trans do atendimento, contribuindo para a subnotificação dos casos. O estudo visa oferecer uma visão nacional do problema antes de investigar as práticas nos serviços de saúde.
