A exposição “Grupo Realidades: Arte, Ciência e Tecnologia”, em cartaz no Espaço das Artes da USP, provoca reflexões sobre como os avanços tecnológicos influenciam a autonomia e a crítica dos indivíduos. Obras como “Admirável Mundo Novo” e “Matrix” expressam preocupações sobre um futuro dominado pela tecnologia, enquanto outros veem oportunidades no desenvolvimento da inteligência artificial generativa.
O evento, organizado pelo Grupo de Pesquisa e Extensão Realidades da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP, destaca a trajetória de mais de 15 anos do coletivo e busca explorar a interseção entre arte, ciência e tecnologia. Segundo a coordenadora do grupo, Silvia Laurentiz, a mostra visa não apenas apresentar novas tecnologias, mas questioná-las e investigar como elas moldam a percepção e a memória.
Uma das obras, a instalação “Contra a Cegueira da Ordem Estabelecida V2”, ilustra essa proposta ao convidar os visitantes a participar de uma experiência que revela a coleta de dados sem o conhecimento do usuário, semelhante ao que ocorre na internet. Outra instalação, “Keep It Real”, permite que os visitantes interajam com imagens geradas por inteligência artificial, levantando questões sobre a autenticidade e a natureza da arte.
Laurentiz enfatiza que o uso de inteligência artificial não elimina a autoria artística, pois a prática envolve escolhas e elaboração conceitual. A exposição, que ficará em cartaz até 11 de setembro, também inclui a instalação “InMemoriam”, uma homenagem às vítimas da covid-19, que associa a perda de vidas à desintegração dos direitos humanos no Brasil.
A mostra está aberta ao público de segunda a sexta-feira, das 10h às 21h, com entrada gratuita.
