No mês de maio de 2021, a Faculdade de Medicina de Botucatu, em parceria com a prefeitura local, realizou uma ação de vacinação em larga escala contra a Covid-19, imunizando a população em um único dia. Essa iniciativa foi parte do estudo de efetividade da vacina Oxford/AstraZeneca, que contou com a colaboração da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), do Ministério da Saúde, da Universidade de Oxford e da Fundação Bill e Melinda Gates.
A vacinação foi apenas uma etapa do estudo, que também incluiu o monitoramento dos vacinados por seis meses para identificar casos positivos e variantes do vírus. A professora Rejane Grotto, da Faculdade de Ciências Agronômicas de Botucatu, coordenou essa fase do projeto.
Em abril de 2020, o governo paulista lançou uma plataforma de laboratórios para acelerar o diagnóstico da Covid-19. O Laboratório de Biologia Molecular do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Botucatu, coordenado por Grotto, fez parte dessa rede, que inicialmente atendia apenas o hospital, mas rapidamente se expandiu para a cidade e, posteriormente, para todas as unidades da Unesp no estado.
Com a aprovação do estudo sobre a vacina Oxford/AstraZeneca, a estrutura de diagnóstico já estava em funcionamento, facilitando o acompanhamento dos vacinados que testavam positivo. Os testes eram coletados em unidades de saúde, e os resultados eram analisados no laboratório, permitindo o sequenciamento genético do material em caso de resultado positivo.
O sequenciamento era realizado no Laboratório Multidisciplinar de Aplicações Moleculares, parte do Laboratório Central Multiusuários (Lacem) da FCA. Um novo software desenvolvido em 2020 automatizou os processos, permitindo um fluxo eficiente de informações e minimizando erros.
Os laboratórios da Unesp se tornaram referência para o Instituto Butantan no sequenciamento de amostras, integrando a Rede de Alerta das Variantes do SARS-CoV-2. Durante a pandemia, a demanda aumentou significativamente, especialmente com a chegada da variante Ômicron em 2022, levando o laboratório a operar em três turnos.
Apesar dos desafios enfrentados, como a escassez de insumos e a necessidade de desenvolver métodos próprios, a equipe da Unesp se destacou pela criatividade e colaboração, garantindo a continuidade das análises e contribuindo para a saúde pública.
