Pesquisadores do Instituto de Física de São Carlos (IFSC) da USP desenvolveram uma plataforma multissensor capaz de identificar anticorpos contra o vírus da gripe aviária em aproximadamente seis minutos. O estudo, intitulado ‘Microfluidic Electronic Tongue Made with Nanostructured Films of Proteins from Renewable Sources to Detect H5N1 Antibodies from Avian Influenza Virus’, apresenta um dispositivo que pode ser aplicado em contextos clínicos e veterinários.
A tecnologia utiliza proteínas vegetais e nanopartículas de ouro como sensores, oferecendo uma alternativa de baixo custo para a detecção rápida do H5N1, conhecido como Influenza A. A identificação desses anticorpos é crucial para monitorar regiões e espécies expostas ao vírus, além de permitir a contenção de surtos.
Os sensores da plataforma são feitos com zeína do milho, jacalina da jaca e concanavalina A do feijão-de-porco, além de sericina da seda para modificar as nanopartículas de ouro. Essa combinação permite que o dispositivo diferencie substâncias líquidas com base em alterações nas propriedades elétricas das amostras.
O professor Osvaldo Novais de Oliveira Junior, orientador do estudo, explica que a língua eletrônica, apesar do nome, não é um dispositivo implantado, mas sim um conjunto de sensores que mede propriedades elétricas. A tecnologia é altamente sensível e pode ser utilizada também no controle de qualidade de alimentos, como café.
Nos testes, a língua eletrônica alcançou 98,6% de acurácia na identificação de anticorpos contra o H5N1, com potencial para ser adaptada a outros alvos virais. No entanto, desafios como a recalibração dos sensores e a necessidade de testes em amostras clínicas ainda precisam ser superados antes da comercialização.