Um estudo recente destaca os efeitos negativos do subfinanciamento na saúde global, com projeções alarmantes de 9,4 milhões de mortes até 2030 devido a cortes no financiamento. Em resposta, o Departamento de Estado dos EUA realocou alguns recursos cortados, levantando questões sobre quem pode suprir as lacunas no financiamento ao desenvolvimento.
A Fundação Bill e Melinda Gates se destaca como a maior financiadora da Organização Mundial da Saúde (OMS) e do sistema de assistência ao desenvolvimento em saúde. Este modelo de filantropia, conhecido como filantrocapitalismo, combina interesses de mercado com doações, mas é criticado por distorcer prioridades de saúde em favor de interesses privados.
Pesquisadores apontam que a literatura sobre filantrocapitalismo é escassa em relação a países de média e baixa renda. Em um esforço para preencher essa lacuna, uma pesquisa de doutorado da USP e do King’s College London analisa projetos filantrocapitalistas em diferentes setores de desenvolvimento.
Um estudo de caso focou na resposta à pandemia de covid-19 pelo G10 Favelas, um grupo que mobiliza comunidades em São Paulo. A pesquisa busca entender como essas comunidades utilizam doações e ações coletivas para enfrentar emergências, além de explorar os desafios que encontram.
O projeto, financiado pela Fapesp, faz parte de uma iniciativa internacional que analisa respostas periféricas à pandemia em quatro países. As primeiras publicações sobre o modelo de apoio à mobilização comunitária estão previstas para os próximos meses.
