A professora Marisa Midori, em sua coluna semanal, destacou os riscos associados à destruição de livros raros para o desenvolvimento de inteligência artificial. Segundo ela, essa prática está ligada ao Projeto Panamá, que visa ensinar chatbots a escrever melhor, utilizando obras que não estão disponíveis online.
Midori citou a frase do escritor Heinrich Heine: ‘Foi apenas um prelúdio; onde se queimam livros, acaba-se queimando pessoas’, para enfatizar a gravidade da situação. Ela explicou que, para acelerar a digitalização, as lombadas de muitos livros estão sendo destruídas, o que pode danificar ou até mesmo descartar obras valiosas.
A colunista ressaltou que muitos desses livros são considerados patrimônio nacional, e sua destruição configura crime contra o patrimônio público e direitos autorais. ‘Estamos tratando de obras raras, e a digitalização muitas vezes é feita sem respeitar os autores’, afirmou.
Midori também alertou sobre a importância de preservar a história dos livros e a capacidade crítica da sociedade, que não deve delegar sua imaginação a máquinas. ‘A destruição de livros para alimentar programas de IA revela muito de uma sociedade que precisa lutar por sua autonomia intelectual’, concluiu.
A coluna Bibliomania vai ao ar quinzenalmente às sextas-feiras, às 9h00, na Rádio USP.
