A peça “A Mandrágora”, de Maquiavel, utiliza o humor para expor a hipocrisia e os interesses pessoais que podem se ocultar atrás de uma aparente virtude.
Calímaco, um malandro, busca conquistar Lucrécia, a esposa de Nicia, um comerciante que deseja ter um filho. Para isso, ele elabora um plano com a ajuda de um padre, disfarçando-se de médico e convencendo Nicia de que a erva mandrágora pode engravidar sua esposa. No entanto, o primeiro homem que se deitar com Lucrécia após a ingestão da erva morrerá.
Nicia aceita a proposta, demonstrando sua falta de escrúpulos ao permitir que um desconhecido tenha relações com sua esposa, enquanto Lucrécia, inicialmente relutante, acaba cedendo à pressão. No final, todos os personagens saem satisfeitos, mas a pretensão de virtude é ferida.
A sátira de Maquiavel revela como o egoísmo motiva as ações, mesmo quando princípios são proclamados. A peça levanta questões sobre quem são os verdadeiros corruptos: o sedutor, o padre, o marido, a esposa ou a sogra?
Maquiavel, com sua obra, inaugura o realismo político, refletindo sobre a desonestidade na política, um tema ainda atual.