Pesquisadores de diversas universidades, incluindo a Escola de Engenharia de São Carlos da USP, descobriram que a organização dos átomos em ligas metálicas não segue um modelo de equilíbrio termodinâmico, mas sim uma estrutura semelhante à encontrada em vidros. Essa descoberta é fundamental para o desenvolvimento de novos materiais, uma vez que a disposição atômica influencia propriedades como resistência mecânica e estabilidade estrutural.
O fenômeno, denominado ordem química de curto alcance, ocorre quando átomos tendem a se agrupar com os ‘vizinhos mais próximos’. Witor Wolf, professor do Departamento de Engenharia de Materiais da EESC e um dos autores do estudo, explicou que, mesmo em materiais metálicos aparentemente homogêneos, a distribuição atômica não é aleatória.
Os resultados do estudo, publicados na revista Nature Communications, indicam que a organização local dos átomos não ocorre por transições termodinâmicas clássicas, mas como um fenômeno de aprisionamento cinético, semelhante ao que acontece na formação do vidro. Isso significa que os átomos podem ficar ‘presos’ em diferentes estados, dependendo da história térmica do material.
A pesquisa sugere que esse comportamento atômico pode ser mais comum do que se pensava e pode ocorrer em várias classes de ligas metálicas. A publicação em uma revista de destaque representa um reconhecimento internacional da relevância científica do estudo, aumentando sua visibilidade entre pesquisadores de diferentes áreas.
A pesquisa foi realizada por uma equipe internacional liderada pela Universidade Federal de São Carlos, com a participação de instituições como o MIT e a Universidade de Tecnologia de Wuhan. Wolf destacou que a colaboração entre pesquisadores e instituições é essencial para gerar descobertas que podem transformar conceitos estabelecidos na ciência dos materiais.
