A prática de exercícios físicos em dias quentes e secos requer atenção especial à hidratação e aos limites do corpo. A evaporação rápida do suor em ambientes de baixa umidade pode dificultar a percepção da desidratação, mesmo com a perda significativa de líquidos durante a atividade.
De acordo com o professor Bruno Gualano, presidente do Centro de Medicina do Estilo de Vida da USP, a rápida evaporação do suor pode levar à impressão de que a pessoa está transpirando pouco, resultando em uma desidratação silenciosa. A perda de líquidos reduz o volume de sangue circulante, o que faz com que o coração trabalhe mais para manter o mesmo nível de esforço.
O cardiologista Breno Tadao de Paiva Eto alerta que a transpiração também elimina eletrólitos importantes, como sódio e potássio, que são cruciais para a estabilidade das células cardíacas. A combinação de desidratação e alterações nos eletrólitos pode aumentar o risco de complicações cardiovasculares.
Sintomas como tontura, náuseas, vômitos e cãibras são sinais de alerta durante a atividade física em calor extremo. Alterações neurológicas, como confusão e desorientação, devem ser tratadas como insolação, exigindo a interrupção imediata do exercício e busca por socorro.
Especialistas recomendam adaptar o horário e a intensidade do exercício às condições climáticas, evitando atividades entre 10h e 16h, e mantendo a hidratação adequada. É importante também não exagerar na ingestão de água, pois a hiponatremia pode ocorrer em casos de consumo excessivo.
A prática de atividade física deve ser mantida, mas sempre respeitando os sinais do corpo e as condições ambientais.
