Uma pesquisa realizada por cientistas japoneses revelou que pessoas com 110 anos ou mais possuem um tipo raro de célula imunológica, os linfócitos T citotóxicos CD4-CLTs, que podem combater o câncer. O estudo foi publicado na revista Cell Reports.
Com a participação de 28 indivíduos dessa faixa etária no Japão, a pesquisa sugere que esses linfócitos são encontrados durante infecções virais e têm evidências de que podem destruir células cancerosas, como as do câncer de pulmão e melanoma. Mayana Zatz, diretora do Centro de Estudos do Genoma Humano e Células-Tronco (CEGH-CEL) da USP, destacou a importância desses achados.
Mayana também observou que o número de centenários vem aumentando e que, até 2050, a previsão é que haja 1,3 milhão de centenários no mundo. No entanto, o número de supercentenários, aqueles com mais de 110 anos, ainda é reduzido.
A pesquisa chamou a atenção da revista Nature News, que entrou em contato com Mayana para saber sobre estudos semelhantes em andamento no CEGH-CEL. “Ficamos muito felizes de ter nossas pesquisas reconhecidas internacionalmente”, afirmou.
Ela ressaltou que investigações como essa podem ajudar a compreender como essas pessoas mantêm a saúde em idades tão avançadas, mesmo com o declínio do sistema imunológico. O estudo sugere que o sistema imunológico pode continuar a se adaptar após os 100 anos.
A coluna Decodificando o DNA, com a professora Mayana Zatz, vai ao ar quinzenalmente, às quintas-feiras, na Rádio USP.