O professor Guilherme Wisnik participou do ciclo Mutações, que discute as transformações do mundo contemporâneo. Com o tema “Sem retorno”, a edição deste ano aborda um período repleto de crises e rupturas de paradigmas.
Na conferência intitulada “Global Blur (Embaçamento Global)”, Wisnik utiliza conceitos de seu livro “Dentro do Nevoeiro” para explorar a nebulosidade como uma metáfora da realidade atual. Ele contrasta a ideia moderna de razão, associada à clareza, com um mundo onde as fronteiras estão cada vez mais difusas.
A nebulosidade se reflete em diversos aspectos, como informações digitais, capital financeiro e expressões artísticas. O professor destaca que vivemos em um ambiente turbulento, onde a falta de clareza se entrelaça com mecanismos de controle e vigilância.
Wisnik também retoma a análise de Walter Benjamin sobre o progresso moderno, representado pelo anjo da história. Ele observa que, ao contrário de uma marcha definida, a sociedade atual é impulsionada em direções diversas, sem um centro claro.
Essa turbulência se manifesta em eventos como ataques terroristas e fenômenos naturais, em um cenário onde algoritmos administram a vida cotidiana. A reflexão de Wisnik aponta para uma realidade em que a promessa de racionalidade convive com uma sensação de caos e desorientação.
A coluna “Espaço em Obra”, com o professor Guilherme Wisnik, é veiculada quinzenalmente às quintas-feiras, às 8h, na Rádio USP.