Desde a invenção da prensa de tipos móveis por Johannes Gutenberg no século 15, o livro se consolidou como um importante instrumento cultural, além de um objeto de desejo e um negócio. Essas características frequentemente se entrelaçam, criando percepções variadas sobre o universo livresco.
A bibliofilia, ou o amor pelos livros, exemplifica a relação afetiva que muitos têm com eles. O humanista Erasmo de Roterdã já afirmava: ‘Quando tenho dinheiro, compro livros. Se me sobrar algum trocado, então compro comida e roupa’.
O livro é um vetor de Cultura, como enfatiza a famosa frase que adorna a Praça do Relógio na Universidade de São Paulo. No entanto, quando essa Cultura se transforma em negócio, surgem questionamentos sobre o verdadeiro papel do livro na sociedade.
As grandes feiras de livros, como a Bienal do Livro, têm se destacado como eventos que atraem multidões e geram negócios. A 28ª Bienal do Livro de São Paulo, por exemplo, recebeu 760 mil visitantes e 269 expositores, com a venda de 3,65 milhões de livros. Apesar dos números impressionantes, surgem críticas sobre a acessibilidade dos livros no Brasil.
Embora a Bienal tenha sido um sucesso em termos de público e faturamento, a alta dos preços dos livros continua a ser um obstáculo para a popularização da leitura. O ingresso e os custos de alimentação durante o evento também são considerados altos, levantando questões sobre a relação custo-benefício para os visitantes.
Assim, a Bienal do Livro se apresenta como um grande negócio, focando na promoção do livro, mas sem necessariamente contribuir para a ampliação do acesso à leitura no Brasil, um país que necessita de mais leitores.