A OrganoSync, startup vinculada ao Supera Parque de Inovação e Tecnologia em Ribeirão Preto, está desenvolvendo uma plataforma inovadora para reproduzir tumores de pacientes em laboratório e testar suas respostas a diferentes tratamentos. O projeto, liderado por Thaís Moré Milan, conta com a parceria da Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto (FCFRP) da USP e foca inicialmente no câncer de cabeça e pescoço.
O processo inicia-se com a coleta de uma amostra do tumor, que é dissociada em células no laboratório. Essas células são cultivadas em três dimensões, formando organoides tumorais que preservam características do tumor original. Os organoides serão submetidos a terapias já utilizadas na prática clínica, oferecendo uma análise mais precisa da resposta ao tratamento.
A plataforma também incluirá células do sistema imunológico do próprio paciente, o que ajudará a representar melhor o microambiente tumoral. “Buscamos reproduzir melhor parte do microambiente tumoral para estudar como o tumor e as células imunológicas respondem ao tratamento”, explica Thaís.
O objetivo é enfrentar a variabilidade nas respostas ao tratamento do carcinoma epidermoide de cabeça e pescoço, onde pacientes com tumores semelhantes podem reagir de maneira diferente à mesma terapia. A previsão é que o processo completo, desde a amostra até o resultado, leve 12 dias, facilitando a tomada de decisão dos médicos oncologistas.
A tecnologia, que está na fase cinco de maturidade, ainda precisa passar por validação clínica e regulamentação antes de ser utilizada na assistência. A OrganoSync planeja expandir sua aplicação para outros tipos de câncer e espera que, no futuro, a tecnologia beneficie pacientes do Sistema Único de Saúde.