Pesquisadores do Centro de Energia Nuclear na Agricultura (CENA) da USP têm investigado os rastros deixados por átomos, especialmente o césio-137, em Goiânia, após um acidente em 1987. O professor Epaminondas Sansígolo de Barros Ferraz foi um dos especialistas que atuaram na contaminação ambiental, alertando para a disseminação do material radioativo.
A contaminação foi descoberta após a abertura de uma cápsula de cloreto de césio no quintal de uma residência. O professor Epaminondas, junto com outros especialistas, coletou amostras de plantas e constatou a absorção do césio pelas raízes das mangueiras, o que levou a ações de monitoramento e controle ambiental.
A professora Elisabete Aparecida De Nadai Fernandes, que coordena o Laboratório de Radioisótopos do CENA, destacou que o laboratório foi criado em 1985 e tem sido fundamental na análise de contaminações. Ela lembrou que o acidente impactou as exportações brasileiras, especialmente de café e açúcar, devido à necessidade de laudos de não radioatividade.
O césio-137 possui uma meia-vida de 30 anos, o que significa que sua radiação persiste por um longo período. As análises realizadas pelo laboratório do CENA continuam a ser relevantes, pois o Brasil permanece na lista de países afetados por radiação.
Além disso, a técnica analítica utilizada para detectar a contaminação já havia sido aplicada anteriormente em lotes de leite em pó importados da Europa, que também apresentaram radionuclídeos devido ao acidente de Chernobyl em 1986.
