sexta-feira, 09 de outubro de 2026
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Imigração angolana no Brasil reflete exploração histórica e desafios atuais

Imigração angolana no Brasil reflete exploração histórica e desafios atuais
Imigração angolana no Brasil reflete exploração histórica e desafios atuais
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Entre 2000 e 2024, 34.038 angolanos imigraram para o Brasil, conforme dados do Sistema de Registro Nacional Migratório (SisMigra). Essa população foi analisada na tese de doutorado “Imigrantes angolanos em São Paulo: uma análise sobre a inserção no mercado de trabalho e a reprodução da vida em São Paulo”, defendida na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP.

A pesquisa, conduzida pela geógrafa Priscilla Pachi, revela que muitos imigrantes angolanos enfrentam dificuldades para acessar empregos formais, sendo forçados a aceitar trabalhos informais, como limpeza e construção, mesmo possuindo formação acadêmica. “Eles continuam entrando no mercado de trabalho em atividades precárias, mal remuneradas”, afirma Priscilla.

A autora destaca que, além da precarização, os imigrantes angolanos também enfrentam discriminação racial no Brasil. Ao chegarem, muitos não reconhecem a existência de preconceito racial, mas logo percebem que são tratados de forma diferente. “Eles falam que aqui realmente descobrem que são pretos”, relata.

As entrevistas realizadas com 21 angolanos e cinco empregadores, através da Casa de Angola, revelaram que os angolanos não recebem benefícios trabalhistas comparáveis aos de outros estrangeiros, apesar de falarem português. “A empresa que os contrata não tem o custo do ensino do idioma, então é vantagem para o contratante”, explica a pesquisadora.

Priscilla também aponta que a instabilidade política em Angola, marcada por décadas de guerra civil, impactou o acesso da população a direitos básicos, como saúde e educação. Atualmente, a educação pública em Angola é limitada até os seis anos, e muitas famílias enfrentam dificuldades financeiras para garantir a continuidade dos estudos.

A pesquisa ainda destaca as dificuldades no acesso à saúde em Angola, onde o sistema público não oferece as mesmas condições que o Brasil. Muitas mulheres buscam tratamentos de fertilização no Brasil, frequentemente por não encontrarem esse atendimento em seu país de origem.

Priscilla Pachi conclui que sua pesquisa busca evidenciar as questões raciais enfrentadas pelos imigrantes angolanos e promover melhorias na qualidade de vida dessa população. “Os imigrantes angolanos não vieram para cá para se manterem iguais ou ficarem piores”, finaliza.

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