A agricultura tropical regenerativa avança no Brasil, integrando ciência e biodiversidade para oferecer alternativas ao modelo agroalimentar convencional. A iniciativa visa desenvolver soluções adaptadas às características regionais, diminuindo a dependência de insumos importados e promovendo a sustentabilidade na produção agrícola.
Ricardo Abramovay, coordenador do projeto INCT Superar a Tríplice Monotonia do Sistema Agroalimentar da USP, destaca que o Brasil desempenha um papel estratégico nesse contexto, reunindo instituições de pesquisa, biodiversidade tropical e uma diversidade de produtores rurais. Essa combinação favorece o desenvolvimento de tecnologias e bioinsumos que atendem às condições locais, com potencial para mitigar a dependência de produtos importados e os impactos ambientais da agricultura.
De acordo com Abramovay, a biodiversidade brasileira deve ser uma aliada na construção de um novo modelo produtivo. Os bioinsumos, por exemplo, podem contribuir para uma agricultura mais sustentável, com soluções ajustadas às particularidades de cada região. Ele enfatiza a necessidade de diferenciar esses produtos dos insumos convencionais, cuja importação pode acarretar altos custos e riscos ambientais: “Neste mundo, depender de importações é altamente inseguro”, afirma.
O pesquisador defende que o desenvolvimento dessas tecnologias deve ser feito de forma aberta e descentralizada, envolvendo agricultores e instituições científicas. A ideia é estimular a colaboração na criação de soluções, em vez de concentrar o conhecimento nas mãos de grandes corporações.
O uso de bioinsumos já é uma realidade em diversos segmentos da agricultura brasileira, abrangendo desde o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) até grandes produtores do Cerrado. Essa diversidade demonstra que a agricultura tropical regenerativa não se limita à agricultura familiar, mas envolve produtores de diferentes escalas em busca de alternativas aos insumos convencionais.
A agricultura convencional, segundo Abramovay, é marcada pela oferta de tecnologias padronizadas, desconsiderando as especificidades regionais. Em contrapartida, a agricultura regenerativa valoriza as particularidades ambientais e sociais de cada localidade, promovendo a cooperação entre agricultores e instituições científicas para desenvolver soluções adequadas. A expansão desse modelo depende da articulação entre diferentes atores e da criação de tecnologias acessíveis e adaptadas à realidade dos produtores.