Um estudo da USP revela que a alternância político-partidária nas prefeituras impacta a estabilidade dos diretores em escolas municipais, aumentando em 25 a 30 pontos percentuais a probabilidade de diretores permanecerem menos de dois anos no cargo.
A pesquisa, realizada no Programa de Pós-Graduação em Ciência Política da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP, analisou dados de 2007 a 2019 de mais de 138 mil escolas, focando naquelas que oferecem os anos finais do ensino fundamental.
Bruno Sendra de Assis, autor da tese, destaca a importância da permanência dos diretores para a aprendizagem dos alunos, afirmando que “o diretor constitui o segundo maior fator de impacto na aprendizagem, superado apenas pelos professores”. Para ele, a estabilidade é crucial para que os diretores consigam implementar melhorias nas escolas.
Os resultados indicam que a alta rotatividade de diretores pode prejudicar a gestão escolar, afetando a disponibilidade de recursos pedagógicos e a estabilidade dos professores, o que pode impactar a aprendizagem dos estudantes. A pesquisa não encontrou o mesmo efeito nas escolas estaduais dos mesmos municípios.
Além disso, o estudo ressalta que a continuidade na gestão escolar, com diretores permanecendo por pelo menos três anos, é fundamental para resultados mais consistentes. A alternância política pode levar à redução de atividades pedagógicas e à escassez de recursos, como livros didáticos.
Os efeitos da rotatividade vão além da simples troca de profissionais, comprometendo a continuidade das políticas educacionais. A permanência dos diretores é vista como essencial para a organização do ambiente escolar e a eficácia do uso dos recursos disponíveis.