A dor intensa durante a menstruação e o desconforto nas relações sexuais são sinais que podem indicar doenças ginecológicas, como a endometriose. Apesar de seus impactos na qualidade de vida, esses sintomas muitas vezes não recebem a atenção necessária, dificultando diagnósticos precoces e prolongando o sofrimento das pacientes.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que cerca de 190 milhões de mulheres em idade reprodutiva sofram de endometriose, uma condição crônica que pode causar dores severas e dificuldades para engravidar. A professora Paula Andrea Navarro, da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP, destaca que a endometriose é caracterizada pela presença de tecido endometrial fora do útero e pode se manifestar de maneiras diferentes em cada mulher.
Os principais sintomas incluem dismenorreia, dor durante a relação sexual e problemas intestinais durante o ciclo menstrual. Além disso, a professora ressalta que mulheres com histórico familiar de endometriose devem ficar atentas aos sinais da doença.
O professor Julio Cesar Rosa e Silva, também da FMRP, explica que o diagnóstico geralmente é realizado por meio de exames de imagem, como ultrassonografia transvaginal e ressonância magnética. O atraso no diagnóstico pode durar de cinco a dez anos, o que impacta negativamente a saúde emocional e a qualidade de vida das pacientes.
A endometriose pode afetar a fertilidade, embora nem todas as mulheres com a doença enfrentem esse problema. O tratamento, que não cura a condição, pode incluir medicamentos hormonais, analgésicos e, em alguns casos, cirurgia. A conscientização dos profissionais de saúde é essencial para melhorar o diagnóstico e o tratamento, garantindo assim uma melhor qualidade de vida para as mulheres afetadas.