Um estudo-piloto realizado por pesquisadores da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (FMRP-USP) mostrou que cinco dias de estimulação cerebral não invasiva, combinados com educação nutricional, podem diminuir o desejo intenso por comida em mulheres com obesidade.
A pesquisa, publicada na revista Physiology & Behavior, envolveu 11 mulheres entre 20 e 40 anos com obesidade grau 1 ou 2. Durante cinco dias, as participantes receberam três sessões diárias de 20 minutos de estimulação ativa, enquanto um grupo-controle recebeu apenas simulação. Entre as sessões, foram realizadas atividades educativas sobre nutrição.
Os resultados indicaram que a estimulação ativa reduziu o desejo por comida, tanto a curto quanto a longo prazo, embora não tenha causado mudanças significativas no peso corporal ou IMC. “Os resultados sugerem que a neuromodulação pode influenciar o comportamento alimentar, mesmo sem alterações no peso”, afirmou Marina Rodrigues Giuliani, nutricionista e primeira autora do estudo.
Os pesquisadores também observaram melhorias no controle consciente da ingestão e na redução do comer descontrolado em ambos os grupos, destacando a importância da educação nutricional. Apesar de ser um estudo preliminar, os autores acreditam que a estimulação cerebral pode ser uma ferramenta complementar no tratamento da obesidade, que continua a ser um desafio de saúde pública.
O próximo passo da pesquisa é testar a estimulação magnética em pessoas com obesidade e transtorno de compulsão alimentar, buscando alternativas para o controle do desejo por comida.