Uma pesquisa de mestrado da psicóloga Luiza Assumpção Alves revela que barracas utilizadas por pessoas em situação de rua em São Paulo proporcionam uma sensação de proteção e um senso de vizinhança, apesar da vulnerabilidade. O estudo, intitulado “Morar na rua: considerações sobre os espaços público e privado de casas e pessoas moradoras de rua”, analisou a relação dos ocupantes com esses espaços.
Luiza acompanhou, por dois anos e meio, quatro moradores que habitavam três barracas, que ela se refere como “casas”. A pesquisadora destaca que essa terminologia reflete como esses indivíduos se relacionam com o espaço público e com a vizinhança. “Vou chamar de casa esse tipo de moradia, pois é assim que essas pessoas se relacionam com esse espaço”, afirma.
O trabalho foi apresentado ao Programa de Pós-Graduação em Psicologia Social da USP, e Luiza menciona que seu interesse surgiu do convívio com moradores de rua na região central da cidade. Ela observou que a relação com a vizinhança pode influenciar a permanência dos moradores nas barracas, já que aqueles que mantêm um bom relacionamento conseguem resistir a tentativas de remoção pela Prefeitura.
De acordo com a pesquisa, a convivência entre moradores de rua e residentes de casas convencionais pode gerar um ambiente de confiança, embora a aceitação seja ambígua. “A vizinhança aceita os que fixam residência em barracas, mas não tolera pessoas em situação de rua que utilizam papelões”, explica Luiza.
Para mais informações sobre a pesquisa, é possível entrar em contato com a psicóloga pelo e-mail [email protected].
