O debate sobre identidade na psicanálise foi ampliado em Ribeirão Preto, com discussões que abordaram a relação entre constituição psíquica, violência contra as mulheres e produção de conhecimento no Brasil. O evento, organizado por estudantes da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto (FFCLRP) da USP, ocorreu em setembro, com o tema “Psicanálise, identidade e cultura: a presença do latino e a luta para existir”.
A 6ª Jornada de Psicanálise da USP contou com 445 inscrições, que se esgotaram em uma semana, e reuniu estudantes, pesquisadores e profissionais da psicologia de diversas instituições. A proposta foi discutir como a história e a cultura latino-americana influenciam a formação das identidades e o papel da América Latina na produção do conhecimento psicanalítico.
A primeira mesa, conduzida por Ignácio Paim e Miriam Debieux, explorou a relação entre indivíduo e cultura, revisitando as ideias de Freud sobre a formação do Eu e da identidade, considerando as particularidades da experiência latino-americana. A identidade foi discutida como um processo que envolve tanto a dimensão individual quanto a apropriação da própria história.
A segunda mesa, apresentada por Vera Iaconelli e Manola Vidal, focou nas experiências de violência contra as mulheres latino-americanas, abordando a hipersexualização e os estereótipos de gênero. A discussão destacou como a psicanálise pode considerar as condições sociais e culturais no sofrimento das mulheres.
O evento também incluiu uma mesa final com Josiane Barbosa e Rafael Alves, que analisou o predomínio de referências estrangeiras na psicanálise brasileira e a necessidade de reconhecer a produção de conhecimento local. A jornada, que já se consolidou ao longo de seis anos, busca articular a formação acadêmica com a participação de profissionais e pesquisadores de diferentes trajetórias.
