Uma pesquisa da Faculdade de Saúde Pública da USP revela que cerca de 90% dos desastres climáticos no Brasil ocorrem em municípios de pequeno porte, com até 50 mil habitantes. Esses locais enfrentam grandes desafios devido a equipes reduzidas e orçamentos limitados para lidar com eventos extremos.
O geólogo Erick Correia Mota, autor do estudo, analisou dez cidades nos estados do Espírito Santo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. Ele destaca que a percepção de que desastres ambientais afetam principalmente grandes cidades não corresponde à realidade, com a maioria dos eventos ocorrendo em municípios menores.
A pesquisa utilizou indicadores para avaliar a capacidade de adaptação dessas cidades às mudanças climáticas, incluindo a situação fiscal das administrações locais. Mota observou que, embora algumas cidades afirmem ter instrumentos de prevenção, muitas não possuem recursos adequados, como equipes da Defesa Civil ou veículos para atuar em emergências.
As oficinas realizadas com representantes de diversas secretarias municipais revelaram a falta de integração entre elas, dificultando o planejamento e a execução de ações conjuntas. Mota enfatiza que a preparação para as mudanças climáticas deve ser um planejamento de longo prazo, considerando as condições climáticas futuras.
Ele sugere a formação de redes de cooperação entre municípios para compartilhar recursos e elaborar planos de adaptação. A articulação entre cidades é fundamental, uma vez que os desastres climáticos não respeitam limites territoriais.