Uma pesquisa da professora Marina da Silva Sanches, do Departamento de Economia da Unesp, aponta que as políticas de austeridade fiscal, adotadas entre 1978 e 2014 em 17 países da OCDE, ampliam a desigualdade de renda. O estudo, publicado na revista Structural Change and Economic Dynamics, mostra que as medidas de corte de gastos públicos e aumento de impostos têm um impacto negativo mais acentuado sobre os segmentos menos favorecidos da sociedade.
A crise econômica global de 2007-2008 trouxe à tona a necessidade de implementar austeridade fiscal para equilibrar as contas públicas. No entanto, essas medidas, como a privatização de estatais e a redução de investimentos em serviços essenciais, resultaram em crescimento desigual, especialmente para trabalhadores menos qualificados.
Sanches destaca que a desigualdade de renda disponível, medida pelo Índice de Gini, é exacerbada por cortes em obras públicas, que afetam principalmente os trabalhadores de baixa renda. Além disso, a pesquisa revela que a desigualdade de rendimentos aumenta em períodos de crise, forçando os trabalhadores vulneráveis a aceitar jornadas mais longas e menos benéficas.
O estudo também analisou a relação entre austeridade fiscal e choques exógenos, utilizando a função impulso-resposta para prever como a desigualdade reage a essas medidas. Embora no curto prazo não tenha havido um aumento significativo na desigualdade, a longo prazo, as políticas de austeridade mostraram-se ineficazes, com a desigualdade de renda de mercado aumentando mais que a renda disponível.
Os resultados sugerem que sistemas de proteção social, como o Bolsa Família, podem mitigar os efeitos negativos da austeridade nos primeiros anos, mas as consequências adversas tendem a persistir. A pesquisa conclui que cortes em gastos sociais têm um impacto mais profundo na desigualdade do que o aumento de impostos, evidenciando a importância de investimentos em saúde, educação e infraestrutura para a economia.
