sexta-feira, 23 de outubro de 2026
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Estudo revela que austeridade fiscal aumenta desigualdade em 17 países

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Estudo revela que austeridade fiscal aumenta desigualdade em 17 países
Estudo revela que austeridade fiscal aumenta desigualdade em 17 países

Uma pesquisa da professora Marina da Silva Sanches, do Departamento de Economia da Unesp, aponta que as políticas de austeridade fiscal, adotadas entre 1978 e 2014 em 17 países da OCDE, ampliam a desigualdade de renda. O estudo, publicado na revista Structural Change and Economic Dynamics, mostra que as medidas de corte de gastos públicos e aumento de impostos têm um impacto negativo mais acentuado sobre os segmentos menos favorecidos da sociedade.

A crise econômica global de 2007-2008 trouxe à tona a necessidade de implementar austeridade fiscal para equilibrar as contas públicas. No entanto, essas medidas, como a privatização de estatais e a redução de investimentos em serviços essenciais, resultaram em crescimento desigual, especialmente para trabalhadores menos qualificados.

Sanches destaca que a desigualdade de renda disponível, medida pelo Índice de Gini, é exacerbada por cortes em obras públicas, que afetam principalmente os trabalhadores de baixa renda. Além disso, a pesquisa revela que a desigualdade de rendimentos aumenta em períodos de crise, forçando os trabalhadores vulneráveis a aceitar jornadas mais longas e menos benéficas.

O estudo também analisou a relação entre austeridade fiscal e choques exógenos, utilizando a função impulso-resposta para prever como a desigualdade reage a essas medidas. Embora no curto prazo não tenha havido um aumento significativo na desigualdade, a longo prazo, as políticas de austeridade mostraram-se ineficazes, com a desigualdade de renda de mercado aumentando mais que a renda disponível.

Os resultados sugerem que sistemas de proteção social, como o Bolsa Família, podem mitigar os efeitos negativos da austeridade nos primeiros anos, mas as consequências adversas tendem a persistir. A pesquisa conclui que cortes em gastos sociais têm um impacto mais profundo na desigualdade do que o aumento de impostos, evidenciando a importância de investimentos em saúde, educação e infraestrutura para a economia.

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