O Brasil busca reduzir a dependência de insumos importados e valorizar os conhecimentos locais dos agricultores, segundo Ricardo Abramovay, coordenador do INCT Superar a tríplice monotonia do sistema agroalimentar.
Os bioinsumos se destacam como uma tecnologia essencial para a transição sustentável do sistema agroalimentar. Em 2009, o Brasil reconheceu o direito à produção independente de bioinsumos, e em 2024, a Lei nº 15.070 estabeleceu um marco legal para sua regulamentação, que está em fase final no governo federal.
Abramovay ressalta que, apesar do Brasil ser um gigante agrícola, a base tecnológica do setor é vulnerável. Ele aponta três razões: a poluição causada por agrotóxicos e fertilizantes sintéticos, a dependência de insumos importados e o aumento dos custos de produção. Os bioinsumos são vistos como uma solução para alcançar uma agricultura tropical regenerativa.
No entanto, a regulamentação da Lei dos Bioinsumos enfrenta desafios, com interesses de corporações oligopolistas que dominam o setor agrícola. Abramovay menciona que essas empresas tendem a manter o controle sobre produtos convencionais, dificultando a adoção de insumos biológicos.
Em um artigo recente, ele afirma que os bioinsumos têm o potencial de transformar as bases tecnológicas da agricultura brasileira, promovendo a soberania alimentar e reduzindo a dependência de importações. A proposta é que a agricultura se torne um vetor de biodiversidade, em vez de destruição ambiental.