A gravidez e a lactação exigem que o corpo feminino aumente a ingestão de cálcio, essencial para a formação do esqueleto do feto e para a produção de leite materno. A falta desse mineral pode levar à perda de massa óssea, que varia entre 3% e 10% durante os primeiros quatro meses de amamentação. No entanto, um estudo da Unesp em Botucatu, coordenado pela professora Tamara Beres Lederer Goldberg, constatou que mulheres que doam leite materno não enfrentam riscos adicionais à saúde de seus ossos.
A pesquisa, publicada no Jornal de Pediatria, acompanhou 77 mulheres que amamentavam, sendo 39 delas doadoras de leite. Os resultados mostraram que a perda de massa óssea foi similar entre as mães que alimentavam apenas seus bebês e aquelas que doavam leite. “Imaginávamos que produzir um volume maior de leite resultaria em uma maior perda de massa óssea, mas a resposta é não”, afirmou a professora.
Após seis meses de amamentação, as doadoras apresentaram um aumento de 5% na densidade mineral óssea da coluna lombar e de 1,5% no fêmur, evidenciando um processo de regeneração óssea. A pesquisa também revelou que as mulheres acompanhadas tinham baixa ingestão de cálcio e não recebiam suplementação adequada durante a gravidez, o que pode impactar a saúde óssea a longo prazo.
A Organização Mundial da Saúde recomenda o aleitamento materno exclusivo até os seis meses de idade e complementado até os dois anos ou mais. O estudo destaca a importância do suporte e orientação para as mães durante a amamentação, enfatizando que a saúde óssea deve ser uma preocupação desde a gestação.
