A relação entre a gestão da água e a adaptação às mudanças climáticas será um tema central na 31ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP31), que ocorrerá de 9 a 20 de novembro em Antália, na Turquia. O evento busca avançar na definição de compromissos para enfrentar desafios como segurança hídrica, resiliência urbana e conservação dos ecossistemas.
Segundo o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), cerca de metade da população mundial enfrenta escassez severa de água em algum momento do ano, devido a fatores climáticos e não climáticos. As mudanças climáticas, resultantes da atividade humana, intensificam o ciclo hidrológico e aumentam as vulnerabilidades existentes. Aproximadamente 60% das intervenções de adaptação analisadas pelo IPCC estão relacionadas a riscos hídricos.
A gestão dos recursos hídricos deve ir além do abastecimento, envolvendo a proteção do território, recuperação de ecossistemas e conservação do solo. A experiência do Programa Nascentes, implantado em 2015 no Estado de São Paulo, exemplifica essa abordagem, promovendo a restauração ecológica e a proteção dos recursos hídricos durante uma grave crise hídrica.
O programa, que inicialmente visava recuperar 4.464 hectares de matas ciliares, já alcançou 20 mil hectares em mais de 400 municípios, com a plantação de 33 milhões de mudas. A restauração das margens de nascentes e rios é crucial para a redução da erosão e a recuperação da biodiversidade, além de contribuir para a adaptação às mudanças climáticas.
Discussões recentes na Turquia, antes da COP31, destacaram a interconexão entre segurança hídrica, biodiversidade e soluções baseadas na natureza, refletindo a necessidade de uma abordagem integrada para enfrentar os desafios climáticos. A ciência desempenha um papel fundamental nessa transformação, com pesquisas na USP que conectam a segurança hídrica a diversas áreas, como conservação de ecossistemas e gestão de águas subterrâneas.
O Programa USP Sustentabilidade (USPSusten) exemplifica essa integração, abordando questões como recursos hídricos e mudanças climáticas. Pesquisas sobre automação em estações de tratamento de água e reaproveitamento de águas residuárias demonstram como a universidade pode contribuir para soluções práticas e políticas públicas eficazes.