A presença da ostra asiática Saccostrea cucullata no Complexo Estuarino de Cananeia, no litoral sul de São Paulo, preocupa pesquisadores, órgãos ambientais e comunidades extrativistas. A rápida dispersão dessa espécie invasora afeta o desenvolvimento da ostra-do-mangue (Crassostrea brasiliana), vital para a subsistência das famílias de ostreicultores locais.
Acredita-se que a Saccostrea cucullata tenha sido introduzida na região através de água de lastro de navios, dada a proximidade com os portos de Santos (SP) e Paranaguá (PR). Essa espécie exótica se adapta rapidamente ao novo ambiente, competindo com a ostra nativa por espaço nos mangues e substratos, o que gera preocupações econômicas e ambientais.
Desde 2023, a Unesp, junto a órgãos como a Fundação Florestal e o Ibama, criou uma rede de ação para combater a bioinvasão. A bióloga Marília Cunha Lignon, da Unesp, destaca a importância do envolvimento das comunidades no projeto, que busca desenvolver estratégias de monitoramento e manejo da ostra invasora.
O projeto, com duração de quatro anos, inclui ações de pesquisa e extensão que visam entender a ecologia da Saccostrea cucullata e mapear sua dispersão. Além disso, propõe atividades que oferecem orientações sobre o manejo da nova ostra e buscam gerar renda para as famílias afetadas.
Uma das iniciativas em andamento envolve a coleta de ostras com características intermediárias, sugerindo hibridização entre as espécies. A equipe também desenvolveu um protocolo para monitorar a ostra exótica, permitindo que a comunidade participe da contagem e mensuração das espécies.
Para mitigar a retirada da ostra nativa, um projeto de Pagamento por Serviços Ambientais (PSA) está sendo elaborado, visando remunerar os ostreicultores que retirarem a Saccostrea cucullata do ambiente. Essa proposta é parte de um esforço maior para proteger a biodiversidade e garantir a subsistência das comunidades tradicionais que dependem da ostra-do-mangue.
