Cerca de 62% dos trabalhadores brasileiros estão acima do peso ou sofrem de obesidade, conforme dados da plataforma Starbem, que analisou 61 mil funcionários de 210 empresas. A pesquisa revela que a prevalência é maior entre os homens, com 66,6% acima do peso, em comparação a 59,8% das mulheres. Esses dados destacam a necessidade de atenção à saúde pública e a importância de fatores relacionados ao ambiente de vida e trabalho.
Marina Rodrigues Giuliani, especialista da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP, afirma que a situação é preocupante: “Quando mais da metade de um grupo tão numeroso está acima do peso, estamos falando de um problema de saúde pública”. Ela ressalta a necessidade de ações contínuas de prevenção, diagnóstico e tratamento.
A rotina acelerada e o sedentarismo são fatores que dificultam a adoção de hábitos saudáveis. A falta de tempo para refeições adequadas e prática de atividades físicas, além do estresse e sono insuficiente, contribuem para o ganho de peso. “Esses fatores estão interligados e podem se potencializar”, explica Giuliani.
A obesidade é um problema complexo, influenciado por fatores biológicos, sociais e ambientais. A especialista alerta que responsabilizar apenas o indivíduo pode reforçar estigmas e dificultar a busca por ajuda profissional. “O cuidado deve ser individualizado, baseado em evidências e centrado na saúde e na qualidade de vida”, afirma.
As condições de trabalho também podem limitar o acesso a serviços de saúde, mesmo quando oferecidos pelas empresas. A falta de tempo e o medo de julgamentos são barreiras que afastam os trabalhadores do acompanhamento especializado. Giuliani sugere que as empresas criem um ambiente que favoreça escolhas saudáveis, oferecendo refeições equilibradas e acesso a profissionais de saúde.
“É fundamental promover um ambiente que proteja a saúde e facilite o acesso ao cuidado”, conclui a especialista.