A mestiçagem é um tema que provoca intensos debates na sociedade brasileira. No recente episódio do Podcast Prato do Dia, Mary Del Priore e Eduardo Paiva, autores do livro ‘Histórias das Mestiçagens no Brasil’, discutem o conceito e as controvérsias geradas pelo lançamento da obra.
Mary Del Priore, organizadora do livro e vencedora de três Prêmios Jabuti, é autora de mais de 50 publicações e já atuou como professora na Universidade de São Paulo e na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro. Eduardo Paiva, historiador e professor titular na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), é também diretor do Centro de Estudos sobre a Presença Africana no Mundo Moderno da UFMG e coordenador do projeto Dicionário das Mestiçagens na Iberoamérica.
A obra, publicada pela Editora Unesp, reúne textos de 23 autores que investigam os processos de mestiçagem que moldaram a formação do povo brasileiro. Os autores abordam a mestiçagem a partir da experiência vivida no país, evitando a noção de um mito pacificador.
Críticos do termo mestiçagem argumentam que ele sugere uma falsa ideia de democracia racial no Brasil, uma tese que ganhou força no século 20, influenciada pela interpretação de Gilberto Freyre sobre a cordialidade. No entanto, os autores do livro buscam apresentar a mestiçagem em sua complexidade, ressaltando que, embora tenha havido violência, também existiram acordos e relações de afeto.
A discussão sobre a origem da palavra ‘mestiço’ revela uma longa trajetória histórica, com significados que mudaram ao longo do tempo. Enquanto a ‘miscigenação’ remete a uma biologização das raças, a ‘mestiçagem’ é um conceito que busca ir além dessa dimensão biológica.
Mary Del Priore destaca ainda a importância do protagonismo feminino na história da mestiçagem, afirmando que o vitimismo presente em certos estudos de gênero pode obscurecer as contribuições das mulheres nesse processo.
Para ouvir a íntegra da entrevista, busque o novo episódio do Podcast Prato do Dia nas principais plataformas de áudio.