Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) descobriram que cada dia adicional em uma onda de calor na capital paulista aumenta o risco de acidente vascular cerebral (AVC) agudo em pessoas com 65 anos ou mais. O estudo define uma onda de calor como dois dias consecutivos com temperaturas acima de 33,1 °C.
A pesquisa, apresentada pela professora Alessandra Carvalho Goulart durante a FAPESP Week Países Baixos, destaca que a combinação de altas temperaturas e poluição do ar, especialmente por material particulado fino PM10, intensifica esse risco. Os dados indicam que a probabilidade de AVC entre idosos aumenta a cada dia sob essas condições.
Para a análise, foram utilizados dados do Estudo de Mortalidade e Morbidade do Acidente Vascular Cerebral (EMMA), que avaliou mais de mil casos de AVC isquêmico entre 2006 e 2018. A pesquisa revelou que a interação entre calor extremo e poluição elevou em 40,4% o risco de AVC.
Além dos fatores ambientais, hábitos saudáveis e cuidados cardiovasculares foram analisados como formas de proteção contra doenças cerebrais. O Estudo Longitudinal de Saúde do Adulto (ELSA-Brasil) acompanhou 1.285 participantes, mostrando que a prática regular de exercícios físicos pode reduzir em até 22% o risco de lesões cerebrais.
Os pesquisadores enfatizam a importância de medidas preventivas, como manter uma rotina de atividade física e cuidados com a saúde cardiovascular, para proteger a saúde cerebral, especialmente em um contexto de envelhecimento populacional acelerado.
