Um novo estudo publicado na revista Neuroscience indica que o excesso de exercícios físicos pode alterar a química do cérebro, especialmente a regulação de dopamina no hipocampo, uma área ligada à memória e emoções. Pesquisadores brasileiros observaram que camundongos submetidos a treinos intensos apresentaram níveis elevados de dopamina durante períodos de descanso, o que pode explicar a ansiedade e insônia em atletas que treinam excessivamente.
Alisson Luiz da Rocha, primeiro autor do estudo, destaca que os resultados mostram que o impacto do exercício vai além do físico e afeta diretamente o sistema nervoso central. A pesquisa envolveu camundongos divididos em grupos que simularam tanto um esforço agudo quanto uma rotina de treinamento severo, típica da síndrome de overtraining.
Os cientistas analisaram o hipocampo dos animais e encontraram níveis elevados de dopamina e da enzima tirosina hidroxilase 48 horas após o exercício, durante a fase de repouso. O professor Adelino Sanchez Ramos da Silva, coordenador do estudo, ressalta que se esses efeitos forem confirmados em humanos, poderão ajudar a entender melhor a relação entre treinamento excessivo e distúrbios do sono.
Os pesquisadores alertam que, para evitar perda de performance e problemas de saúde, é fundamental respeitar o tempo de recuperação. Tanto atletas profissionais quanto amadores devem buscar orientação especializada para equilibrar treino e descanso.
