A reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva é vista como um alívio para setores progressistas e uma resposta ao avanço da extrema-direita no Brasil, segundo o professor Guilherme Wisnik. O resultado também posiciona o país como referência na defesa da democracia no cenário internacional.
Apesar da vitória, Wisnik alerta para a composição do Congresso Nacional, que foi eleita no primeiro turno e tende a fortalecer forças conservadoras, o que pode dificultar a governabilidade. Ele também menciona que Lula terá a oportunidade de indicar novos ministros para o Supremo Tribunal Federal (STF) durante seu mandato.
Wisnik destaca dois pontos principais da eleição. O primeiro é o crescimento da extrema-direita no Brasil desde 2018, que coincide com o enfraquecimento do centro político e da direita moderada. Ele relaciona essa situação a características históricas da sociedade brasileira, que incluem autoritarismo e uma herança colonial e escravocrata.
O segundo ponto é a combinação da mobilização digital com a ocupação de espaços públicos. A campanha de Lula conseguiu competir nas redes sociais contra a extrema-direita, mesmo em um ambiente dominado por grandes empresas de tecnologia. Além disso, manifestações espontâneas, especialmente entre os jovens, ocorreram em defesa da democracia, sendo comparadas às mobilizações das Diretas Já, em 1984.
A coluna Espaço em Obra, com o professor Guilherme Wisnik, é transmitida quinzenalmente às quintas-feiras, às 8h, na Rádio USP, com produção da Rádio USP, Jornal da USP e TV USP.
