O cinturão citrícola do Brasil, que abrange municípios do interior de São Paulo e partes de Minas Gerais, representa cerca de 80% da produção nacional de laranja e 90% das exportações de suco, conforme dados do Fundo de Defesa da Citricultura (Fundecitrus).
A liderança de São Paulo no setor é crucial para o agronegócio brasileiro, com oito em cada dez copos de suco de laranja consumidos globalmente originando-se de pomares brasileiros. No entanto, a sustentabilidade dessa produção enfrenta riscos, especialmente devido a pragas e mudanças climáticas.
A previsão de safra para 2026/27 indica um aumento de 255 milhões para 263 milhões de caixas, mas ainda abaixo dos 292 milhões da safra anterior. O professor Daniel Junior de Andrade, da Unesp, destaca que a combinação de condições naturais, infraestrutura e investimentos em pesquisa são fundamentais para a relevância da citricultura paulista.
A história da citricultura na família de Vicente Hernandes Neto ilustra a adaptação necessária para enfrentar crises. Desde a diversificação de cafezais para pomares de laranja na década de 1960, a família tem buscado alternativas para se manter competitiva, especialmente diante do avanço do greening, uma doença bacteriana que compromete a produção.
Atualmente, a incidência do greening no cinturão citrícola é de 48%, exigindo cooperação entre os produtores para o manejo da praga. Além disso, a estiagem e as adversidades climáticas impactaram negativamente a safra, com chuvas 50% abaixo da média histórica durante períodos críticos.
Para enfrentar esses desafios, os citricultores estão investindo em tecnologias de precisão e monitoramento constante, buscando garantir a eficiência e a sustentabilidade de suas produções.