Um estudo recente revela que 86% das crianças e adolescentes com dores musculoesqueléticas conseguem se recuperar em até 18 meses, mas 32% podem voltar a sentir dor. A pesquisa, publicada no Journal of Orthopaedic & Sports Physical Therapy, foi realizada com 694 jovens e mostra que a condição, conhecida como “dor de crescimento”, afeta três em cada dez crianças no Brasil.
A dor, que não está relacionada a traumas ou esforços repetitivos, pode levar os jovens a faltarem à escola e abandonarem atividades de lazer. A pesquisadora Tiê Parma Yamato, da Universidade Cidade de São Paulo (Unicid), alerta que essa dor é frequentemente subestimada e que muitos pacientes recebem tratamento inadequado.
O estudo indica que fatores como idade e qualidade de vida são determinantes na recuperação. Crianças mais novas e com melhor qualidade de vida têm maior chance de melhora espontânea, o que reforça a necessidade de intervenções precoces.
Yamato destaca que a dor recorrente na infância pode ser um fator de risco para problemas crônicos na vida adulta. “Entender o curso dessa dor permite identificar quem precisa de atenção precoce para evitar complicações futuras”, afirma.
O estudo, apoiado pela Fapesp, é pioneiro em investigar a dor musculoesquelética em crianças e adolescentes em países de baixa e média renda. A pesquisa envolveu 12.036 jovens, dos quais 2.688 participaram e 694 foram acompanhados por 18 meses.
A dor foi mais frequentemente relatada nas costas (51,3%), seguida pelas pernas (42,5%) e pescoço (20,5%). Yamato ressalta que a condição é frequentemente mal interpretada como “dor de crescimento”, o que pode levar à subestimação dos sintomas e à falta de diagnósticos adequados.
Para evitar que as crianças fiquem sem tratamento, é fundamental que pais e profissionais de saúde reconheçam a gravidade da dor e mantenham um acompanhamento adequado, considerando também fatores emocionais e de qualidade de vida.