Um vídeo que circula nas redes sociais, alegando que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendeu que “saúde é para quem pode pagar”, é falso. A gravação foi editada, retirando trechos de um discurso em que o presidente, na verdade, defendia o Sistema Único de Saúde (SUS) e criticava a ideia de que o acesso à saúde deveria ser restrito pelo poder aquisitivo.
O conteúdo enganoso utiliza partes de uma fala do presidente durante sua visita ao Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia (Into), no Rio de Janeiro, realizada na última sexta-feira, 17 de julho. O discurso completo foi transmitido ao vivo no canal oficial de Lula no YouTube, sob o título “Presidente Lula visita o Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia (INTO)”.
A análise da versão integral do discurso revela que a edição suprimiu declarações de Lula em defesa explícita do SUS. No contexto original, o presidente relatava uma experiência pessoal e criticava a prevalência do “poder do dinheiro” na área da saúde.
Na íntegra, Lula afirmou: “Quando eu cortei esse dedo, eu fiquei mais de quatro horas esperando que o médico que tinha que estar de plantão, mas não estava de plantão, viesse tratar do meu dedo. Então, eu sei como é que o pobre é tratado, como o rico é tratado, porque ainda prevalece na área da saúde, o poder do dinheiro. É por isso que se criou tanto ódio quando a gente aprovou na Constituição de 88 a criação do SUS. Porque muita gente, muitas vezes de má fé, tentava insinuar que o Estado não tinha condições de oferecer ao povo brasileiro um sistema único de saúde. Porque quem sabia cuidar da saúde era iniciativa privada e saúde é para quem pode pagar, quem não pode pagar que morra no esquecimento e negligência do Estado brasileiro. E nós, então, resolvemos provar exatamente o contrário. Eu acho que, na questão da saúde, a pessoa mais pobre que mora num lugar mais pobre do Rio de Janeiro tem o mesmo direito de ter um tratamento no hospital com o mesmo médico que trata o governador do Estado, o prefeito da cidade, o deputado federal, os ministros do Tribunal de Justiça”.
A versão editada, por sua vez, omite as menções ao SUS e à crítica à visão privatista, apresentando apenas: “Quando eu cortei esse dedo, eu fiquei mais de quatro horas esperando que o médico que tinha que estar de plantão, mas não estava de plantão, viesse tratar do meu dedo. Então, eu sei como é que o pobre é tratado, como o rico é tratado, porque ainda prevalece na área da saúde, o poder do dinheiro. Saúde é para quem pode pagar, quem não pode pagar que morra no esquecimento e negligência do Estado brasileiro”.
A Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República repudiou a divulgação dessas informações falsas, destacando que o conteúdo foi retirado de contexto com o objetivo de desinformar a população, enfraquecer instituições e manipular a opinião pública.