O anúncio de uma nova tarifa de 12,5% pelos Estados Unidos elevou a sobretaxa máxima sobre produtos brasileiros para 37,5%, gerando forte pressão sobre a indústria nacional. Enquanto o agronegócio foi pouco afetado, o setor industrial cobra agilidade do governo federal para negociar diretamente com os americanos, descartando retaliações.
Segundo a Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham), 85,3% das exportações brasileiras para os EUA serão atingidas pela alíquota máxima de 37,5%, resultado da soma dos 25% anunciados em 15 de julho com os 12,5% atuais. A entidade alerta que a medida fragiliza cadeias produtivas e encarece custos, prejudicando empresas, trabalhadores e consumidores.
O governo americano justificou a nova tarifa alegando que o Brasil não possui leis rigorosas contra trabalho forçado. O Palácio do Planalto classificou a medida como arbitrária e anunciou que acionará a Lei da Reciprocidade e a Organização Mundial do Comércio (OMC). No entanto, entidades como a Amcham, a Abimaq e a CNI defendem a negociação bilateral para evitar uma escalada comercial.
O setor de máquinas e equipamentos é um dos mais vulneráveis. A Abimaq estima queda de 10% a 11% nas exportações para os EUA, que em 2025 somaram US$ 3,2 bilhões (23% do total do setor). O presidente executivo da entidade, José Velloso, afirmou que a tarifa de 37,5% elimina a competitividade dos fabricantes brasileiros frente aos concorrentes americanos.
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) também defendeu a continuidade das negociações diplomáticas. O presidente da CNI, Ricardo Alban, disse que a entidade trabalha em conjunto com o governo para apoiar as empresas afetadas, por meio de uma nova missão da política Nova Indústria Brasil. A Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg) endossou a posição, destacando a necessidade de ampliar exceções e garantir previsibilidade.
Para empresários e trabalhadores locais, o cenário pode resultar em perda de contratos, redução de margens, queda da produção, adiamento de investimentos e impactos sobre o emprego. A indústria paulista, como maior polo industrial do país, deve sentir fortemente os efeitos, especialmente nos setores de máquinas e equipamentos, que dependem do mercado americano.