A defesa do senador Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato à Presidência, negou que o vídeo criado por inteligência artificial (IA) exibido na convenção do Partido Liberal no sábado (25) configure pedido de voto do ex-presidente Jair Bolsonaro. Os advogados argumentam que a peça não violou a lei eleitoral, pois não ocultou o uso da tecnologia e o público foi informado de que se tratava de uma simulação.
Na gravação, Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar em Brasília, afirma estar “preso e calado por uma decisão arbitrária” e pede que apoiadores recebam Flávio “de braços abertos” como candidato. A defesa sustenta que o vídeo não é um deepfake, pois não houve tentativa de enganar o público, e compara o recurso ao uso de máscaras e bonecos de papel em campanhas.
Outro ponto levantado é que o evento foi fechado, com acesso restrito a filiados e convidados, e não ao eleitorado em geral. A defesa também cita exemplos de campanhas anteriores, como o slogan “Haddad é Lula e Lula é Haddad”, para demonstrar que a transferência de apoio político é prática comum.
As explicações foram enviadas ao ministro Kássio Nunes Marques, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), relator do caso. A representação foi protocolada pela Federação Brasil da Esperança (PT, PCdoB e PV) no domingo (26), acusando propaganda eleitoral antecipada e uso irregular de IA.
